— Foi você quem esbarrou a faca nela naquela hora. Eu vi com meus próprios olhos. — Gabriel disse, tentando se justificar.
— Ah, é? E ela se machucou? — Beatriz rebateu, fria e afiada.
Gabriel ficou em silêncio.
O tal ferimento da Vi… Não passava de uma marquinha menor que um arranhão de unha. Nem curativo precisava.
— Você me acusa de manipular a situação… Mas, no fundo, é você quem distorce tudo. — Beatriz continuou, o sarcasmo escorrendo em cada palavra, enquanto observava o silêncio dele.
Ela respirou fundo e prosseguiu, cada frase cortante como uma lâmina:
— E agora fica me perguntando se eu voltei pra casa ontem. Por quê? Tá com medo que eu tenha te flagrado se divertindo com aquela mulher? Traição dentro do casamento… E você ainda age como se tivesse razão?
Ao ouvir isso, Gabriel enrijeceu, a coluna reta como um soldado em posição de sentido.
— Eu não traí! — Retrucou, quase gritando.
— Não? E essa marca no seu pescoço, foi o quê? Mordida de cachorro? — Ela rebateu, o olhar cheio de desprezo.
Instintivamente, Gabriel levou a mão ao pescoço. Pegou o celular, abriu a câmera frontal e puxou o colarinho... Lá estava. Uma marca roxa. Clara. Visível. Um chupão.
— Eu posso explicar… Não é o que você pensa… — Ele tentou desesperadamente, mas Beatriz o cortou, fria:
— Não precisa explicar nada. Vai embora. E para de incomodar os outros pacientes.
Gabriel não saiu. Ainda queria insistir, queria explicar, queria... Qualquer coisa.
Mas Beatriz o encarou com o olhar mais indiferente que ele já tinha visto na vida, o dedo pousando lentamente sobre o botão de emergência:
— Se você perdeu o juízo e pensa em levantar a mão pra mim de novo… Eu aperto o botão. E a gente se encontra no tribunal.
— Eu… — Gabriel abriu a boca, mas não conseguiu dizer que não era um agressor. Como poderia, com todas as marcas visíveis nas costas dela denunciando a verdade?
Do lado de fora, Rafael, que ouvia tudo entrou no quarto, o rosto pálido de preocupação.
— Sr. Gabriel… Vamos. O senhor tem uma reunião importante na empresa. — Sugeriu, cauteloso.
Ele tinha presenciado a fúria do chefe, o soco no carro... E agora, aquele clima insuportável no quarto. Tinha medo real de que aquilo acabasse na polícia.
— Me solta! — Gabriel afastou o assistente com um movimento brusco. Ficou ali, de punhos cerrados, encarando Beatriz.
Naquele momento, ele parecia um galo de briga inflado, cheio de pose mas vazio por dentro. Queria dizer que, naquela noite, ele e Vitória não chegaram às vias de fato… Mas ao ver a expressão indiferente de Beatriz, como se nada daquilo importasse, sentiu o peito apertar ainda mais, sufocado de raiva.
Rafael, suando frio, tentou novamente e, depois de longos minutos, conseguiu puxar o chefe para fora do quarto. Gabriel saiu relutante, ainda olhando para trás, enquanto a porta se fechava lentamente.
No corredor, Gabriel não conseguiu mais conter a raiva. Sem ter onde descarregar, socou a parede com força. O som seco ecoou pelo corredor.
Rafael engoliu em seco, apavorado.
“Meu Deus… Ainda bem que consegui tirá-lo do quarto. Se esse soco tivesse sido nela… Teria sido fatal.”
Rafael suspirou por dentro:
“Poxa, Sr. Gabriel… Não atender o telefone não é motivo para condenar ninguém. E vamos combinar… Foi o senhor quem a decepcionou tanto que ela não quis atender.”
Claro, ele jamais teria coragem de dizer isso em voz alta.
Olhando de novo para o celular, hesitou por alguns segundos, mas decidiu passar o recado:
— Sr. Gabriel… A Sra. Beatriz pediu pra avisar… Que ela não vai te denunciar por traição, nem vai te expor, nem vai comentar nada com o Sr. Henrique. Ela disse que o senhor pode ficar tranquilo…
Antes que pudesse terminar, um som surdo ecoou dentro do carro.
Rafael congelou na hora.
O soco que Gabriel deu no encosto quase atravessou o banco, ele teve a sensação de que poderia sentir o impacto nas costas.
No banco de trás, Gabriel estava de olhos arregalados, o punho latejando de dor… Mas ele nem sentia.
As palavras de Beatriz… Tão racionais, tão educadas, cheias de bom senso…
Mas ele…
Ele só conseguia ficar ainda mais furioso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Faltam 30 dias para eu ir embora — Sr. Gabriel perdeu o controle
Pois eu a estou no capítulo 1083 agora que comecou a descobri as mentiras de vitória e Gabi sempre amo Beatriz mão a vitória...
Pois o pelo que eu tô vendo desse livro dessa história linda e incrível eu gostaria muito que o Gabriel e Beatriz ficasse juntos porque já sofreram bastante é hora de conversar se unir novamente forma um casal perfeito esse drama é lindo é incrível...
Ah! Por favor qdo conseguir chegar ao final do livro, não coloque Beatriz e Gabriel juntos. Esse Gabriel é possessivo demais da conta, ela corre o risco de ser prisioneira dele por conta desse ciúme doentio, e Beatriz merece um homem de verdade. Alguém que respeite o espaço dela, a doçura que encanta....
Por favor, ajude a compartilhar este romance com mais leitores! Quanto mais compartilhamentos e leituras ele tiver, mais rápido lançaremos novos capítulos! *(O problema é que já está ficando cansativo, o livro é bom mais está repetitiva as histórias dos personagens. Por favor dê continuidade sem ficar voltando ao passado)*...
Esse livro e top quero o capítulo 1054...
Desbloqueia por favor!...
Eu não entendo: se eu quero pagar pra ler porque os capítulos tem que estar bloqueados???? Isso desestimula a leitura!!!! Desbloqueia por favor!!!!...
Desbloqueia!!!...
Eu não entendo. Quero pagar pra ler e vcs não desbloqueiam!!!!...
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