A festa terminou e os colegas foram embora satisfeitos.
Apenas Deise ficou. Com seu cabelo curto, jaqueta de couro, amor por motocicletas e uma expressão sempre séria, ela parecia uma garota durona, mas adorava se agarrar a Serena.
Agora, ela segurava o braço de Serena e não soltava.
— Chefe, me leve com você. Se eu não te vir todos os dias, qual o sentido da vida?
Serena, resignada, deu um peteleco na testa de Deise.
— Você já está bem grandinha!
— Mas sou mais nova que você.
— Sim, você é mais nova. Por isso, se tiver algum problema, me ligue.
A garota durona ficou com os olhos vermelhos, mas ergueu a cabeça para segurar as lágrimas.
— Chefe, essa sua amiga não é boa pessoa. Tome cuidado com ela — sussurrou.
Serena assentiu.
— Eu sei.
— Não finja que não estou falando sério.
— Eu não sou boba.
— Chefe, claro que você não é boba. Pelo contrário, é muito inteligente. Mas isso não impede que as pessoas ao seu redor te traiam.
A garotinha via as coisas com clareza. Talvez fosse o famoso ditado: quem está de fora vê melhor.
Depois de se despedir de Deise, Ângela também saiu. Ela pagou a conta no final, arrancando a nota da mão de Serena. Mas, com um milhão distribuído, o que o dinheiro daquele jantar poderia comprar em termos de lealdade?
— Serena, você vai de táxi? — perguntou Ângela, aproximando-se.
Serena não respondeu, mas ergueu uma sobrancelha.
— Você não bebeu hoje à noite. Na hora de brindar, sua taça estava com água.
Ângela hesitou.
— Eu... não estava com vontade de beber.
— Não, você com certeza está me escondendo alguma coisa.
— O que eu poderia estar escondendo...?
— Você não está grávida, está?
Ângela se assustou. Não esperava que Serena adivinhasse de primeira.
Vendo sua reação, Serena afirmou com certeza:
Serena lançou-lhe um olhar furioso e deu-lhe um tapa no rosto. O som estalou no ar.
Ângela cobriu o rosto, chocada.
— Por que... por que você me bateu?
— Porque nesta viagem eu encontrei o Alan, e ele já é casado! — Serena fingiu estar furiosa, apontando para Ângela. — Eu não acredito que você se tornou uma amante!
— Eu... — Ângela ficou pasma.
— Você não tem vergonha na cara? Como pôde destruir a família de outra pessoa?
— Eu não sabia...
— Estou muito decepcionada com você!
Depois de bater e gritar, Serena se sentiu aliviada e se virou para ir embora.
Entrou no táxi e, pelo retrovisor, viu Ângela cobrindo o rosto, com uma expressão de profunda injustiça. Em seguida, ela pegou o celular para fazer uma ligação.
Serena sorriu e pediu ao motorista para dar a volta e parar na entrada dos fundos do hotel.
Desceu do táxi, entrou no saguão e viu Ângela ainda do lado de fora, esperando por alguém.
Não demorou muito para um Bentley preto parar em frente ao hotel. Ronaldo Marques desceu do banco do motorista e, assim que chegou à frente do carro, Ângela correu chorando para seus braços.

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