Depois de entender tudo, Rogério teve vontade de dar um tapa na própria cara. Por que não explicou para Patrícia naquele momento? Bastava uma frase e ela teria acreditado.
Não, ele tinha que voltar para casa e vê-la.
Rogério levantou-se num salto, pegou o casaco e ia saindo.
— Aonde você vai? — perguntou Sandra.
— Para casa, ficar com a minha mulher e a minha filha.
Olhando para as costas de Rogério se afastando, Sandra balançou a cabeça e sorriu. Ele realmente tinha mudado. Antigamente, ela achava que um traste como ele seria um traste para a vida toda, mas, surpreendentemente, mudou por causa de uma mulher e uma criança.
Que incrível.
Sandra pegou a cerveja que Rogério tinha largado, salivando de vontade, mas o médico tinha recomendado que ela não bebesse para não ficar com cicatriz no ferimento da testa. Mas era só uma cicatriz.
Sandra convenceu a si mesma rapidamente e bebeu vários goles com prazer.
Parece que só sobrou ela como o pedaço de carne podre que vai apodrecer para sempre.
Nesse momento, o celular tocou. Sandra ficou um pouco atordoada; o celular dela raramente tocava, porque ninguém se importava com ela. Quem mais ligava era o Rogério, e depois aqueles amigos da onça que queriam explorá-la.
Ela não queria atender, mas o toque parou e logo começou de novo. Xingando baixinho, ela pegou o celular e, ao ver o nome na tela, paralisou.
Mamãe...
Sandra encarou aquelas letras, demorando muito para voltar a si, até que a chamada caiu. E justamente quando ela se lamentava por não ter atendido antes, a pessoa ligou novamente.
Dessa vez, ela atendeu desajeitadamente. Estava prestes a gritar "Mãe", quando ouviu xingamentos estridentes do outro lado.
— Onde é que você se meteu? Está vadiando com aqueles homens que não valem nada de novo? Como eu fui parir uma vergonha dessas como você? Não me chame mais de mãe, tenho medo de morrer de desgosto!
O "Mãe" que estava na ponta da língua de Sandra foi engolido a seco, transformando-se em uma risada de escárnio. Ria de si mesma por ainda ter esperanças neles.
— Você voltou para o país?
Sandra tomou um gole de cerveja. — O que foi? Você não me deixa voltar para casa e agora não me deixa nem voltar para o meu país?

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