Felipe olhava para o horizonte. O contorno da montanha já havia sido desenhado pela luz tênue, e ela parecia estar bem diante de seus olhos, mas o caminho sob seus pés levava para muito longe.
Nesses últimos seis meses, ele havia renunciado a todos os seus cargos no Grupo Glória, tirando esse peso das costas, e em seguida capturou o assassino de Alfredo. E agora? O que mais ele faria?
De repente, sentiu-se perdido.
Apesar de ter a esposa e os filhos ao seu lado, e de saber que devia se esforçar para construir uma boa vida, a confusão ainda o dominava.
Era como estar em alto-mar: embora o barco sob seus pés fosse firme e o mantivesse seguro, aquela viagem não tinha um destino. Na verdade, antes havia um, mas muitas coisas aconteceram depois, e aquele objetivo deixou de ter importância.
— Para onde você acha que esse caminho leva? — perguntou Serena, virando-se para Felipe.
Felipe deu uma olhada para a montanha ao longe: — Para aquela montanha?
Serena balançou a cabeça: — Ele contorna aquela montanha e vai muito mais além.
— Esse caminho é muito estreito.
Um caminho tão estreito não passava carro, não tinha muita utilidade. Para onde poderia levar?
— Só sei que é muito longo, tão longo que uma vez tentei ver onde terminava. Caminhei por muito, muito tempo, mas acabei desistindo.
— Por que desistiu?
— Eu já estava no caminho, por que tinha que encontrar o fim dele?
— ...
— A gente não precisa, necessariamente, ter um destino fixo. Basta garantir que cada passo que damos esteja na direção certa.
Felipe ficou momentaneamente surpreso e, de repente, abriu um sorriso.
— E se a pessoa não souber nem como dar esse próximo passo?
Serena segurou a mão de Felipe. Ela parou por um instante e, em seguida, deu um passo em sincronia com ele.

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