Isabella
Estava me arrumando e perdida em meus pensamentos, quando ouvi batidas na porta.
— Pode entrar! — gritei, pois já tinha sentido que era Tia Angel.
— Você não pode autorizar a entrada no seu quarto sem saber quem é! — ela disse, em um tom autoritário, assim que entrou.
— Eu já sabia que era você, por isso permiti — respondi de forma despretensiosa e voltei ao que estava fazendo.
— Isabella, como você sabia? — perguntou, intrigada.
Olhei para ela confusa. Não entendia por que aquilo era tão importante. Eu não tinha uma explicação, eu apenas sabia. Decidi não preocupá-la com meus pensamentos.
— Bem, meu pai está imerso em seu trabalho no escritório, os empregados estão ocupados com seus afazeres, e a única pessoa que viria ao meu quarto seria você, Tia Angel.
— Está dizendo que eu não tenho nada para fazer? — perguntou de forma divertida.
— Claro que não! Você trabalha, às vezes, mais do que meu pai para manter a casa e a alcateia em ordem. Apenas imaginei que fosse você pela forma como saiu da mesa hoje de manhã.
Ela caminhou até minha cama e se deitou. Eu sabia como essa história com meu pai mexia com ela. Tia Angel era uma loba bonita, forte, inteligente e sempre disposta. Seu único defeito era colocar todos nós em primeiro plano, esquecendo-se de si mesma. Caminhei até a cama e me deitei ao lado dela. Ficamos ali, olhando para o teto por alguns minutos, até que ela disse:
— Ele me disse que eu ir a um encontro o incomoda.
Olhei para ela espantada. Meu pai havia dito isso? Será que ele finalmente deixaria essa história de companheira destinada e seria feliz com a Tia Angel? Continuei olhando para ela com expectativa.
— Mas eu sei que esse incômodo não é suficiente para me fazer sua Luna. Talvez seja mesmo hora de seguir em frente — disse, dando um sorriso sem humor.
— Eu nunca havia ouvido você dizer que gostaria de ser Luna dele. Quer dizer, vejo o jeito como se olham e se tratam, mas nunca tinha ouvido você admitir que o ama — confessei com sinceridade. Sempre percebi o sentimento entre eles, mas nunca vi meu pai com ciúmes, nem ela admitir seu amor.
— Sofri muito quando seu pai Mason morreu ao me salvar. Me culpava, achava que teria sido melhor se eu tivesse morrido naquele dia. Apolo foi meu suporte nesse processo, ajudando-me a entender que a culpa não era minha. Mason era um lobo honrado e não gostaria que eu me culpasse. Atlas foi o culpado. Eu não tinha mais ninguém; meu pai morreu nas mãos dos rogues, e minha mãe nunca teve muito amor por mim. Quando conheci Apolo e você, foi como se a Deusa tivesse me dado uma nova família.
Era a primeira vez, em quase 18 anos, que Angel se abria comigo. Sentia uma dor profunda sempre que ouvia falar no meu pai Mason. Mas, assim como ela sempre esteve ali por mim, hoje eu estaria por ela.
Ela virou-se um pouco, e nossos olhos se encontraram.
— Eu senti uma conexão com vocês assim que os vi pela primeira vez. Tive vontade de pegar você no colo e cuidar de você. Quando Apolo permitiu que eu viesse para cá e me colocou como responsável por você, meu coração transbordou. Eu já te amava. Apolo me acolheu quando ninguém mais fez, cuidou de mim, respeitou-me. E ele é lindo — ela corou, ao dizer isso.
— Me diz como não amar ele e você, quando sinto que são o presente da Deusa para mim.
Meus olhos se encheram de lágrimas. Como ela era incrível! Tinha orgulho de ter sido criada pelos dois lobos mais justos que conheci. Estendi a mão para enxugar a lágrima que escorria pelo rosto dela.
— Tia Angel, você é uma das pessoas mais importantes da minha vida. Nunca se esqueça disso! Se ama tanto o meu pai, não desista dele, por favor.
— Vou sempre te amar, minha pequena loba. Nunca duvide do meu amor por você. Mas sei que eu e Apolo nunca poderemos ficar juntos. O que nos une é o amor que compartilhamos por você. Logo, você encontrará seu companheiro, será feliz e terá sua família. E eu...
Ela parou de falar. Antes mesmo de ouvirmos as batidas na porta, já sabíamos quem era.
— Bella, posso entrar? — disse meu pai, do outro lado.

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