Isabella
Chegamos ao Centro de Treinamento, e meu pai me fez correr 50 voltas ao redor do local, dizendo que era para aquecer. Na volta 31, já sentia minhas pernas pesarem.
“Vai me cansar antes mesmo do treino começar!” reclamei, irritada.
“Se já está cansada só com algumas voltas, fiz bem em assumir seu treinamento.”
Parei de correr, girando sobre os calcanhares para encará-lo.
“Tio Tobias também me faz correr, mas não dessa maneira. Ele me ensina defesa pessoal e a chutar umas bundas.”
“Você precisa saber mais do que apenas se defender. Deve estar pronta para proteger a sua Alcateia. Você é a futura Alfa de Midnight.”
“Pai, mulheres não são Alfas. Nenhuma Alcateia tem uma Loba como Alfa. Além disso, você ainda pode ter um filho com sua companheira, e ele terá o direito, não eu.”
Revirei os olhos, pronta para voltar a correr, mas o rosnado dele me fez parar. Antes que eu percebesse, ele segurou meu braço com força.
“Isabella, você será a Alfa quando chegar a hora. Você nunca será menos que qualquer outro filho que a Deusa me conceda. Não quero ouvir você repetir isso novamente. Estamos entendidos?”
Assenti com a cabeça, sentindo a tensão em sua voz. Vi algo nos olhos dele — uma mistura de dor e frustração.
“Papai, eu não quis te magoar. Só estava tentando ser prática. As Alcateias nunca vão aceitar uma mulher como Alfa, era só isso que eu queria dizer.”
“Você está enganada. Desde que a Rainha assumiu o trono, as coisas têm mudado. Não faço mais parte da aliança, mas ainda ouço histórias.”
“Como será que ela é?” perguntei, curiosa, diminuindo o ritmo das corridas ao perceber que ele também o fazia.
“Dizem que é mais justa do que o Rei Alexander foi. Uma loba inteligente e astuta. O Reino prosperou muito sob seu comando nos últimos 18 anos. Sua Lycan é a mais forte de todo o Reino... na verdade, ela é a última de sua espécie.”
Algo dentro de mim se agitou, e Ártemis reagiu à menção. Meu pai notou minha hesitação.
“O que houve?”
“Ah, nada! Só estava contando, e já demos as 50 voltas.”
Sorri sem muito humor, desviando do assunto. Não era o momento para falar do que vinha acontecendo comigo.
“Ok, vamos para o combate. Quero ver o que já aprendeu. A partir daí, vamos aprimorar.”
Subimos no ringue. Meu pai me rodeava com olhos atentos, esperando meu movimento. Tio Tobias sempre focava na defesa, então mantive minha posição, aguardando que ele atacasse.

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