Isabella
Já se passaram exatamente duas semanas desde minha discussão com Logan. Não nos falamos desde aquele dia, e isso acabava comigo. Por fora, eu tentava mostrar o quanto era forte e fingia que aquilo não me afetava. Mas por dentro… eu estava arruinada.
No mesmo dia em que voltei para minha alcateia, Ravena convocou uma reunião com todas as alcateias do Reino. Para nossa surpresa, nem todas estavam do nosso lado. Algumas haviam se aliado a Kaelen — o maldito ainda estava por aí e, agora, às vezes, até invadia meus sonhos.
Ravena traçou um plano de ação, reunindo praticamente todas as alcateias em uma só. O Reino se tornou um refúgio para as famílias. A Blood Moon, liderada pelo Alfa Olavo, ficou responsável pela agricultura — todos os alimentos vinham de lá para o restante de nós. Nox e Midnight, por terem os dois Alfas mais fortes, ficaram encarregadas do treinamento dos guerreiros. Já a Shadow Pack, comandada pelo Alfa Caius, e a Silent Night, do Alfa Lucian, decidiram se voltar contra Ravena e se aliaram a Kaelen.
A Crescent Moon foi extinta, mas meu pai deu abrigo ao Alfa Lucas, sua Luna e Megan, prometendo que, assim que a guerra terminasse, os ajudaríamos a se reerguer.
Vicent estava desaparecido. Nem mesmo Ethan, Noah ou Gabriel conseguiam localizá-lo. Acreditávamos que ele ainda estivesse se recompondo da traição de Kaelen e Anthony.
Os lycans continuavam ao lado de Kaelen, atacando-nos com frequência. Estávamos em guerra — isso se tornava mais evidente a cada dia. Meu pai nos obrigava a treinar noite e dia. Havia toque de recolher, e ninguém podia andar sozinha.
Megan e eu deixamos de ser rivais e nos tornamos grandes amigas. Lexa vinha nos visitar todos os dias, e Melissa, claro, continuava sendo minha Best Forever.
— É sério! — A voz de Melissa me tirou dos meus pensamentos.
— Pirralha, por favor, explique para a Mel que estamos em guerra — disse Megan, usando o apelido carinhosamente. — E que seu pai jamais vai concordar com um luau de primavera — concluiu, revirando os olhos.
— Eu gosto da ideia — disse Lexa, que até então estava em silêncio.
Estávamos as quatro sentadas no telhado do meu quarto, observando a lua. A noite estava quente, e em alguns dias nos despediríamos da primavera e daríamos oi ao verão.
— Preciso concordar com a Meg, Mel — falei de forma descontraída. Megan piscou para mim e deu uma cotovelada em Melissa.
— Isso é traição! Eu sou sua melhor amiga! — disse Melissa, fingindo indignação.
— Mel, eu não disse que sua ideia não era boa. Só acho que, por causa da guerra, meu pai jamais aceitaria — falei, e Mel bufou para mim.
— Acho que seria uma oportunidade para as famílias se reunirem e sentirem um momento de paz — suspirou Lexa. — Mesmo que por algumas horas... Meu irmão precisava de um momento assim. — Sua voz estava carregada de tristeza.
Ouvir sobre ele mexia comigo. A saudade me consumia. Mas, se ele não estava disposto a dar o braço a torcer, eu muito menos.
O ar ficou pesado no mesmo instante. Minhas amigas sabiam o quanto tudo isso ainda mexia comigo. Mas o momento foi quebrado pela voz da minha mãe, que vinha da sacada.
— As Furiosas pretendem passar a noite toda aí? Ou vão se juntar a nós para jantar? — Todas nós rimos. Minha mãe nos apelidou de As Furiosas porque, a cada dia, uma de nós se deixava levar pela fúria e causava algum problema. Jacob e Eduardo eram, na maioria das vezes, os que mais sofriam com isso.
— Estamos descendo! — gritei, e começamos a descer, uma a uma.
Quando chegamos, Ravena estava com minha mãe, e Ajax ao seu lado. Desde a discussão entre Logan e eu, Ravena e Ajax meio que tomaram partido: Ravena me apoiava, enquanto Ajax ficava ao lado de Logan.
— Lexa, já resolvi as coisas por aqui. Logan está nos aguardando. — Ajax se direcionou a Lexa, mas seus olhos pousaram em mim por um breve instante.
— Tudo bem. — disse ela com aquela voz doce. Lexa raramente retrucava, e ouvir um ‘não’ dela era algo quase impossível. Ela nos abraçou, uma a uma, prometendo voltar no dia seguinte.
Melissa perguntou se podia pegar carona, e Ajax assentiu. Minha mãe saiu com eles, junto com Ravena, nos dizendo que tínhamos cinco minutos para descer.
Assim que a porta se fechou, Megan me olhou. Antes mesmo que as palavras saíssem da boca dela, eu já sabia exatamente o que queria dizer.
— Hoje não, Megan. — Fui até o banheiro. O calor era tanto que precisei jogar água no rosto antes do jantar. Megan ficou parada, encostada no batente da porta, me observando enquanto eu me refrescava.
— E quando será? — perguntou, com um tom firme e autoritário.
— Quando eu estiver pronta. — Joguei a toalha que havia usado em cima dela. Megan também lavou o rosto, e descemos rindo.
Ninguém entendia muito bem o que tinha acontecido. Um dia nos odiávamos, e no outro éramos inseparáveis. Mas o que ninguém sabia era que a dor que compartilhávamos era o que nos unia.
Kaelen não conseguiu me possuir, mas conseguiu com Megan. No primeiro dia, ela tentou fingir que aquilo não significava nada, afinal, não era mais virgem. Mas, na primeira noite em que chegamos à minha alcateia, Kaelen apareceu para nós duas em um sonho — e foi horripilante.

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