Isabella
Quando voltei a mim, vi tia Angel. Seus olhos, tão familiares, agora brilhavam como safiras, idênticos aos meus. Ela havia ativado sua loba? O que estava acontecendo?
Apoiei as mãos no chão e percebi sangue nelas. Meus olhos se voltaram para o corpo de meu pai. Ele estava ferido, com marcas e hematomas que nunca imaginei ser capaz de causar. Como isso era possível? Ele era um Alfa, e eu nem tinha minha loba ativa.
“Bella, você está bem?” Ouvi a voz do meu Pai.
“Apolo, espere, precisa de tempo para se recuperar!” Mas ela mal terminou sua frase, e ele já estava vindo ao meu encontro, ignorando qualquer cuidado.
“Bella, meu amor, fale comigo! Está machucada?” Ele passou a mão pelo meu rosto com desespero. Seus olhos estavam cheios de preocupação.
Tentei responder, mas as palavras simplesmente não saíam. Meus lábios se moveram sem som até que, de repente, o mundo ao meu redor desapareceu em um véu de escuridão.
Quando despertei, estava em um lugar macio. Sentia a pressão de uma mão envolvendo a minha, mas não consegui abrir os olhos. As vozes chegaram primeiro.
"Você devia ter deixado Willian te examinar, Apolo! E se for algo sério? Uma concussão talvez?” A voz da tia Angel soava firme, mas cheia de preocupação.
“Sou um Alfa, Angel. Não tenho tempo para isso. Estarei recuperado em alguns minutos, mas não vou sair do lado da minha menina. Não devia ter dito aquelas palavras para ela.” Sua voz estava cheia de arrependimento.
“Me desculpe, papai.” Minha voz saiu baixa e vacilante.
Ele imediatamente segurou meu rosto com cuidado. Seus olhos, que antes carregavam a força de um líder, agora mostravam alívio e uma tristeza profunda. Ele me abraçou forte, como se pudesse me proteger do mundo e de mim mesma.
“Você não tem nada para se desculpar, Bella. Eu quem deveria ter parado. Tive medo de que Linus assumisse e acabasse te ferindo. Me perdoa, meu amor. Prometo que isso nunca mais vai acontecer.”
Ele beijou o topo da minha cabeça, mas eu não consegui me acalmar. Uma onda de culpa me invadiu, trazendo com ela o medo.
“E se eu machucar mais alguém?” Minha voz falhou. “Tobias? Jacob? Eu...”
Comecei a chorar descontroladamente. Tia Angel se sentou ao meu lado e passou as mãos em meu cabelo, murmurando palavras doces. Seu toque e sua voz foram aos poucos me acalmando.
Apolo levantou meu rosto para que eu olhasse para ele.
“Querida, devo chamar o Willian novamente? Sente dor em algum lugar?”
Neguei com a cabeça, mas as lágrimas ainda escorriam. Ele as secou com cuidado, esperando pacientemente.

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