Ethan
— Meg... — chamei suavemente. — Está tudo bem. Talvez esse seja o destino que a Deusa reservou para mim.
Queria tocar seu rosto, mas, com as mãos presas, era impossível. Sempre achei Megan uma mulher bonita, de presença forte e sedutora. Mas depois da minha conversa com Isabella, algo nela parecia diferente... algo que me atraía como se fosse minha.
— Você precisa ir agora, querida. Por favor, faça isso por mim.
As lágrimas escorriam por aquele rosto lindo, os olhos vibrantes presos aos meus. Algo brilhou neles — raiva, frustração, ou talvez algo mais profundo. Sem aviso, Megan começou a me bater. Seus murros não tinham força, apenas desespero.
— Por que você tem que ser tão teimoso? Não me obrigue a te dar uma surra...
Minhas pernas cederam, e as dela também. Logan nos observava sem saber o que fazer.
— Saia daqui, Alfa. Ela sairá logo atrás de você.
Disse a ele através da conexão. Logan hesitou por um instante, mas assentiu e seguiu para fora. Megan estava agarrada a mim, e doía saber que teria que vê-la partir. Esse era o meu fim, não o dela.
— Querida, olhe para mim.
Ela balançou a cabeça em negação, recusando-se a me encarar. Baixei a cabeça até a curva de seu pescoço e sussurrei em seu ouvido:
— Por favor...
Megan ergueu o rosto, mas manteve os braços ao meu redor.
— Você terá uma vida linda, e vai encontrar um companheiro que a ame e a trate como merece.
Ela continuou negando, os soluços agora rasgando sua garganta.
— Não quero um companheiro, Ethan.
Segurou meu rosto entre as mãos, encostando a testa na minha antes de sussurrar:
— Quero você.
Suas mãos deslizaram até minha nuca e, sem hesitar, seus lábios tomaram os meus.
O beijo foi intenso, desesperado, como se fosse a última chance que teríamos. E talvez fosse. O gosto de Megan era uma mistura viciante de fúria e paixão, de um desejo que nenhum dos dois admitira até aquele momento. Minhas mãos ainda estavam presas, e isso só tornava tudo mais agonizante.
Ela pressionou o corpo contra o meu, como se quisesse me manter ali, como se quisesse me sentir por inteiro antes que o tempo se esgotasse. Meus dentes arranharam seu lábio inferior, e ela arfou, mas não recuou. Pelo contrário, aprofundou ainda mais o beijo, como se quisesse me gravar nela.
O mundo ao nosso redor estava prestes a desmoronar — o fogo se espalhava, os gritos ecoavam — mas, naquele instante, nada disso importava. Só existia Megan.
E, pela primeira vez, percebi o que realmente queria.
Ela.
Nos separamos, ofegantes, o momento ainda vibrando entre nós. Eu deveria insistir para que ela fosse embora. Deveria dizer que a Deusa já tinha decidido meu destino. Mas, naquele momento, as palavras me fugiram. E, no fundo, eu não queria que ela fosse.
— Não vou deixar você aqui... — sussurrou.
Ela me deu um beijo rápido e se levantou. A fumaça já começava a sufocar o ambiente, mas isso não a deteve. Megan voltou a puxar as correntes, desta vez com mais força. Então, parou de repente, como se tivesse conversando com alguém por conexão... ou se lembrado de algo.
— Amor, tive uma ideia.
Meu peito aqueceu com o jeito que ela me chamou, e Megan corou diante do meu olhar. Mas, logo em seguida, me deu um soco.
— Para de me olhar assim.
— Assim como? — arqueei a sobrancelha.
— Sério, Ethan, me escuta. — Ela disse, ajudando-me a ficar de pé. — Isabella também estava presa com correntes assim, mas quebrou os pulsos para se soltar.
Seus olhos brilharam com esperança, e me doía ter que apagá-la com a verdade.
— Querida, Isabella tem mãos pequenas. As minhas, mesmo que eu quebre os ossos, não vão passar...
Megan me encarou com determinação.
— Ethan, eu vou quebrar seus pulsos. E vou te tirar daqui!

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