Ethan
Despertei confuso, o cheiro forte de antisséptico invadia minhas narinas, e percebi que minha perna estava imobilizada. Levei alguns segundos para entender que estava em um quarto de hospital. Queria me levantar, sair dali. Precisava saber da Megan. Se me socorreram, é porque provavelmente fizeram o mesmo com ela. Também precisava saber de Isabella, não encontrei Logan quando saímos. Será que eles conseguiram fugir?
Ouvi passos do lado de fora, o que significava que Tyros estava fazendo bem seu trabalho, me ajudando na recuperação. Uma figura familiar passou pela porta: Leonardo, o médico da Alcateia de Logan.
— Que bom vê-lo acordado, Ethan. Está sentindo alguma dor?
Tentei me mexer, talvez me levantar, mas não consegui.
— Recomendo que permaneça assim até seu Lycan terminar a recuperação — disse ele, com um tom sério, mas ao mesmo tempo amigável.
— Preciso ver a Megan e saber da Isabella. Não posso ficar preso nesse quarto! — Minha voz saiu mais ríspida do que eu gostaria, mas a necessidade de saber sobre elas, de ver a Megan, foi maior do que qualquer tentativa de ser amistoso.
— A Luna está bem, está em nossa alcateia, com o Alfa Logan. Até onde sei, ela viria aqui para visitá-los mais tarde.
Saber que Bella estava bem me trouxe alívio. Mas o que chamou minha atenção foi o “visitá-los”. Isso só podia significar que...
— Megan?
Leonardo assentiu.
— Ela está no quarto à frente. Os ferimentos dela foram mais profundos do que os seus. Está sedada, o que significa que levará mais tempo para despertar. Mas Megan é uma Alfa incrível, forte, determinada. Com toda certeza, ela se recuperará antes do esperado.
Seus olhos brilharam ao falar dela, e aquilo mexeu comigo. Pior, mexeu com Tyros, que rosnou em resposta a Leonardo.
— MINHA!
— Se acalme, Ethan, foram apenas elogios de um médico para uma paciente. Não há competição aqui... — o médico disse, afastando-se e levantando as mãos em rendição.
Enquanto ainda fulminava Leonardo com o olhar, senti uma presença familiar se aproximar. Na verdade, duas. Olhei para a porta e vi Noah e Gabriel entrarem no quarto. Noah tinha ferimentos pelo rosto e caminhava lentamente.
— O que houve? — minha pergunta estava carregada de preocupação.
— Tentei impedir o tio Kaelen de fugir, mas não tive sucesso.
Droga, tudo o que eu queria ouvir era que Kaelen estava morto. Noah se aproximou e me envolveu em um abraço. Desde pequenos, de nós três, ele sempre foi o mais carinhoso. Noah tinha muito da minha mãe, e agora, imaginando o que Isabella era nossa, ele também tinha traços dela.
— Estou feliz em te ver bem. Quando o Alfa saiu com Isabella e disse que você estava preso... — Noah suspirou. — Achei que nunca mais o veria. Você é um babaca, mas eu te amo.
Sorri, ainda abraçado a ele. Que belo jeito nós Lycans tínhamos de demonstrar nossos afetos. Assim que nos separamos, algo inesperado aconteceu: Gabriel se aproximou e fez o mesmo. Por um segundo, meu corpo se enrijeceu, e senti o dele ter a mesma reação. Mas, segundos depois, nos rendemos. Éramos irmãos, e nada nem ninguém poderia mudar isso.
— Que bom tê-lo de volta! — ele me soltou e deu um tapa na minha cabeça. — E nunca mais faça isso, deixar a raiva dominar a ponto de ser capturado e quase morrer.
Noah ria de Gabriel ter me batido. O olhei de forma mortal, e seu sorriso morreu em seus lábios no mesmo instante.
— Sinto muito, mas eu até que me controlei. Como acha que me senti vendo minha mãe levar Isabella ao altar, e depois vê-la partir sem nem sequer nos dar satisfação?
A frustração era evidente em cada sílaba. Mas Morgana era a menor das minhas preocupações. Nesse momento, só queria saber das minhas meninas, principalmente de Megan.
— Mas nada disso importa. Como está Isabella?
Eles se entreolharam, mas foi Gabriel quem me respondeu:
— Ela se recusa a nos falar o que aconteceu. Decidimos não insistir.

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