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Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas romance Capítulo 136

Lexa

As palavras de Gabriel ecoavam dentro de mim:

"Decidi ir embora... Me afastar de Lexa será o melhor."

Deusa, que dor é essa? Somos companheiros, mas não acasalados... então por que essa sensação sufocante? Diana choramingava em minha mente. Talvez devesse deixá-la emergir—quem sabe, com ela no controle, as coisas fossem menos dolorosas. Ela era forte. Eu, não.

As lágrimas nublavam minha visão, tornando impossível enxergar um palmo à frente do nariz. Quando saí, ouvi as meninas me chamarem, mas não podia ficar ali. Não ao lado de Gabriel, sabendo que ele iria embora. Que me abandonaria.

No fundo, eu sempre soube. Só fui tola o suficiente para acreditar que, dessa vez, seria diferente. Anthony tinha razão: somos bons apenas enquanto somos úteis. E como sou uma covarde, quebrada por dentro, Gabriel vai abrir mão de mim.

Eu não tenho utilidade. Eu não sirvo para nada...

Continuei correndo, sem me importar para onde. Meu peito queimava, a respiração falhava, mas nada disso importava. Ouvi um barulho distante, e uma luz se aproximou. Minha visão turva não me deixava identificar o que era.

Olhos?

Parecem grandes olhos...

Eu não conseguia ver.

Eu... eu...

Minha Deusa!

Um caminhão!

Instintivamente, levantei as mãos, como se pudesse me proteger do impacto. Mas o choque que veio não foi do veículo—foi de um corpo grande e forte colidindo com o meu, me jogando para longe do perigo.

Meu coração martelava no peito. Como cheguei à estrada tão rápido? Como não percebi?

— Lexa, fala comigo! Você se machucou?

Ainda de olhos fechados, minha mente tentava processar o que havia acontecido. Meu corpo tremia incontrolavelmente, tomado pelo choque. Então, senti uma mão quente em meu rosto. O calor que emanava dela começou a acalmar minhas células em chamas.

De repente, lábios roçaram os meus—suaves, delicados, como um beijo de borboleta.

Um suspiro escapou de mim. O cheiro dele me envolveu, inebriante. Notas cítricas de bergamota misturadas ao aroma terroso e amadeirado do vetiver.

Quando meu corpo enfim se acalmou, abri os olhos.

E lá estavam eles.

Aqueles olhos cor de avelã que me hipnotizaram desde a primeira vez que os vi.

— Oi.

A voz de Gabriel soou rouca, carregada de algo que não consegui decifrar.

Deusa, ele pode ser mais sexy que isso?

Apenas um simples oi e eu já estava desmoronando.

Então, ele sorriu.

Droga.

Coloquei a mão em seu peito, tentando afastá-lo.

— Sai da minha cabeça, Gabriel.

Minha voz saiu irritada, e comecei a empurrá-lo. Eu precisava de espaço. Ele, no entanto, apenas se acomodou no chão, próximo à estrada. Antes que eu pudesse me levantar, puxou-me para seu colo de uma só vez.

— Ahh!

Soltei um grito de surpresa. Suas mãos firmes apertaram minha cintura, me mantendo ali, presa.

Lancei-lhe um olhar furioso—se olhares pudessem matar, Gabriel já estaria acabado.

— Precisamos conversar.

O tom dele carregava urgência.

— Não tenho nada para falar. O que eu preciso é que me deixe ir.

Cruzei os braços e virei o rosto. Minha Deusa, tinha como ser mais infantil que isso? Por que não consigo lidar com as coisas como uma adulta normal?

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