Isabella
Tudo estava confuso. Eu me lembrava vagamente de ouvir uma voz falando comigo, mas era em minha mente. Nada fazia sentido. Lembrava do lobo na pista, do carro perdendo o controle e, depois disso, tudo ficou nebuloso. Minha Deusa, o que estava acontecendo? Aos poucos, as coisas começaram a clarear. Senti pessoas ao meu redor, mas não conseguia identificar quem eram ou onde eu estava.
Meus olhos ainda estavam pesados, mas insisti em abri-los. A primeira coisa que vi foi:
— Logan?! — minha voz saiu rouca e confusa.
Ele estava parado, me olhando com um misto de alívio e preocupação, quando uma voz suave e familiar quebrou o silêncio:
— Graças à Deusa, você acordou! — minha mãe disse, me abraçando com cuidado. Logo em seguida, meu pai se aproximou e depositou um beijo suave em minha testa.
— O que... aconteceu? — perguntei, ainda confusa.
— Você sofreu um acidente, mas está segura agora — respondeu minha mãe, embora eu pudesse sentir a raiva latente no semblante do meu pai.
— Me desculpe — murmurei, abaixando a cabeça enquanto olhava para minhas mãos. Me sentia péssima; na minha primeira volta com o carro, eu simplesmente o destruí.
Senti Logan se aproximar, e meu coração acelerou. Minhas mãos começaram a suar. O que estava acontecendo comigo? Por que essas sensações tomavam conta de mim toda vez que ele estava perto?
— Foi um acidente. Você não tem culpa. Estamos gratos à Deusa por você estar bem — ele disse, com uma ternura que fez meu coração disparar ainda mais.
Levantei o rosto para encontrar seus olhos, que refletiam algo que parecia dor... ou talvez culpa? Mas por que ele se sentiria culpado por um acidente?
Tentei me sentar, mas Logan foi rápido e me impediu com um gesto suave.
— Não se mexa. Você precisa descansar.
Antes que eu pudesse responder, meu pai soltou um rosnado baixo. Logan imediatamente me soltou e deu um passo para trás. Olhei para meu pai, repreendendo-o com o olhar. Ele suavizou a expressão, mas o clima continuava tenso. Voltei minha atenção para Logan.
— Você que me encontrou? — perguntei.
Ele assentiu.
— Me trouxe ao hospital e ficou aqui até agora?
— Claro que sim — respondeu sem hesitar.
— Por quê? — minha voz saiu como um sussurro.
— Porque você é minha...
Antes que ele pudesse completar, meu pai rosnou novamente. Logan parou e olhou para ele, que o fulminava com o olhar.
— Teremos tempo para essa conversa, Bella — Logan disse, pegando minha mão e plantando um beijo suave nela. Senti todos os meus pelos se arrepiarem e uma sensação inexplicável tomou conta de mim. O toque dele deixou minha pele formigando.
— Acho que já está na hora de você ir, Alfa Logan — meu pai disse duramente, quebrando o encanto do momento.
— Já eu acho que minha partida depende da vontade da Isabella, Alfa Apolo — Logan respondeu no mesmo tom.
— E eu decido que ambos devem respeitar Isabella e o estado em que ela se encontra — minha mãe interveio, como sempre, colocando ordem na situação. Eu ainda estava perdida com tudo aquilo.
— Alfa Logan, acredito que seja melhor você ir. Isabella precisa descansar. Ela ainda não tem sua loba ativa, e sua recuperação pode ser mais lenta do que gostaríamos — minha mãe disse, meu pai deu um sorriso vitorioso que não passou despercebido por minha mãe, que o olhou em repreensão.
— Mas, antes de ir, gostaria de agradecer, em meu nome e no de meu Alfa, pelo que fez por nossa menina. E convidá-lo para o baile que faremos hoje à noite — minha mãe completou, surpreendendo a todos. Meu coração deu um salto ao ouvir aquilo. Ela estava realmente convidando Logan para o baile!
— O que você está dizendo? — meu pai protestou, mas Logan foi mais rápido.

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