Ravena
— Rav, você tem certeza disso? — Dandara me tirou dos meus pensamentos.
Não, eu não tinha certeza. Isabella ia me odiar ainda mais quando acordasse, e Apolo, com certeza, viria atrás dela. Mas havia muita coisa em jogo. Não podia recuar agora.
— Beta, faça exatamente o que ordenei — disse de forma autoritária, tentando esconder minha própria insegurança.
— Rainha, se me permitir, levarei Apolo até a casa central. — Olhei para Ícaro, que estava totalmente desconfortável em trair seu Alfa. Mas ele também sabia que meus motivos eram plausíveis. Um dia, todos me entenderiam e, quem sabe, até me perdoariam.
— Faça como combinamos. Levará muitas horas para que eles despertem. Tempo o suficiente para chegar às terras do Reino. — Ele assentiu. Dandara e eu o ajudamos a colocar o grande lobo no carro.
Uma sensação estranha me atingiu, mas não era minha, e sim de Lina.
— Não te reconheço mais, Ravena. Linus é um bom lobo; cuidou de minha filhote por todos esses anos. — Lina disse, descontente. Ao longo desses dezoito anos, ela nunca me perdoou por enganar e abandonar Mason e Max. Nossa relação não tem sido das melhores, e, depois de hoje, talvez piorasse.
— O caráter dele nunca esteve à prova. Sou grata a ele. Mas existem coisas inevitáveis.
Ícaro partiu. Dandara e eu seguimos de barco, junto com Isabella. Não era o melhor caminho, mas era o mais rápido para o Reino. Chegaríamos lá logo depois do amanhecer. Fomos em silêncio o caminho inteiro. A cada minuto, me pegava olhando para Isabella. Ela era uma mistura minha com Mason. Instintivamente, tirei uma mecha de cabelo de seu lindo rosto e a cobri com uma das mantas que Dandara trouxe.
— Obrigada, mamãe. — Ela murmurou. Meu coração acelerou, mas logo em seguida uma dor me atingiu. Não era a mim que ela estava agradecendo, e sim a Angel. Lina choramingou em minha mente. Teríamos um longo caminho até o coração de nossa filha.
— Chegamos. — Dandara disse, me acordando suavemente. Nem havia percebido que tinha pegado no sono.
— Já me conectei com o Delta. Ele virá buscar Isabella. E já ordenei que arrumassem o quarto dela. — Assenti e desci do barco.
— Quero guardas na porta de seu quarto. Ninguém entra lá sem ser eu ou você. — Ordenei de forma seca.
— Rainha, não vejo necessidade disso. Isso só irritará mais a menina. — Dandara me chamou pelo meu título, o que mostrava o quanto ela estava chateada comigo.
— Não me questione, Beta. Siga minhas ordens.
O Delta levou Isabella e a acomodou no quarto. Dandara, sempre eficiente, colocou os guardas como ordenei e pediu para que preparassem refeições e deixassem o que beber no quarto de Isabella. Ela sabia que logo o efeito passaria, e Isabella despertaria.
— Deixe peças de roupas para a Princesa também, caso ela decida se banhar quando acordar. — Disse à governanta, que assentiu e se retirou. Olhei mais uma vez para Isabella, suspirei e segui para meu quarto.
Um tempo depois, já havia me banhado e descansado um pouco, quando senti Dandara se aproximar de meus aposentos.
— Entre. — Disse firmemente.
— O bom olfato de um Lycan. — Ela disse de forma descontraída.
— Já não está mais com raiva de mim? — Perguntei, levantando uma sobrancelha.
— Se me perguntar se concordo com seus métodos e suas atitudes, minha resposta é não. — Ela suspirou antes de continuar. — Mas jamais sentiria raiva de você, Rav. Somos irmãs. E, como sua irmã e Beta, tenho o dever de mostrar quando faz algo que não é bom para você.
Dandara foi meu apoio desde a morte da minha mãe, e, quando Mason morreu, ela foi a pedra angular que me sustentou.
Ouvimos batidas na porta. Era Selma, a governanta.
— Senhora, desculpe interromper. Mas levei comida à Princesa como foi ordenado, mas ela está destruindo tudo. Os guardas estão tentando contê-la.

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