Logan
Já haviam se passado horas desde a última vez que ouvi a voz de Isabella me chamando. A conexão entre nós parecia cortada, como se um vazio aterrorizante tivesse tomado o espaço onde antes havia sua presença calorosa. Tentei alcançá-la novamente, mas o silêncio me atingiu como um golpe, deixando minha inquietação à beira do insuportável.
Voltei a Midnight com a autorização relutante de Angel, que, naquele momento, estava lidando com um Apolo tomado por uma fúria ardente, tão palpável que parecia reverberar nas paredes do salão.
— Eu entendo sua frustração, Alfa, mas, se não se acalmar, não terá a clareza necessária — disse Angel, com uma voz firme, mas cuidadosa, enquanto se aproximava dele como quem se aproxima de um animal selvagem prestes a atacar.
O cheiro de adrenalina e suor de Apolo pairava no ar, misturando-se ao aroma amadeirado do ambiente. Seus olhos brilhavam como brasas incandescentes, fixos em algum ponto indefinido do lado de fora.
— Precisamos agir com cautela — continuou Angel. — Ravena tinha tudo planejado. Acredita mesmo que ela nos deixará entrar em suas terras com facilidade?
Eu sentia o peso das palavras dela, mesmo que a dor de não ter notícias de Isabella me consumisse por dentro. Angel estava certa, mas aceitar isso era como engolir vidro.
— Alfa Apolo, já deixei meus lobos prontos. Meu Gama seguiu para o Reino. Assim que ele descobrir algo, entrará em contato imediatamente — minha voz saiu firme, mesmo que o nó em minha garganta me sufocasse. — E, se for necessário, monto um exército para trazê-la de volta.
Apolo girou lentamente para me encarar, o brilho de seus olhos agora tingido por um ódio silencioso, mas avassalador. Por um momento, o silêncio foi quebrado apenas pelo som irregular de sua respiração. Ele finalmente suspirou, voltando-se para a janela.
— Fui um fraco. Como um Alfa, eu deveria ter sentido o perigo — sua voz era carregada de amargura. Ele passou as mãos pelos cabelos desgrenhados, o gesto quase desesperado.
— Mas não senti nada! Nem o cheiro dela... nem o das lobas traidoras! — Ele socou o peitoril da janela com tanta força que o som ecoou pela sala, o impacto ressoando como um trovão abafado.
A frustração em sua voz era quase tangível, uma corda tensa prestes a se partir. O ar ao nosso redor parecia carregado, como se a própria sala refletisse a tempestade de dentro de Apolo.
— Ravena me cegou. Isso... isso é imperdoável! — Ele rosnou, seu tom carregado de promessa.
Angel deu um passo à frente, mas não ousou tocá-lo.
— A raiva não pode ser sua conselheira, Apolo. Use-a como combustível, não como guia. Precisamos de estratégia. Isabella precisa de nós, eu sinto.
As palavras dela caíram como um balde de água fria. Apolo respirou fundo, mas o fogo em seus olhos continuava queimando.
Eu apertei os punhos, sentindo a tensão nos meus próprios músculos.
— Ela mexeu com os Alfas errados. E vai pagar por isso — murmurei, minhas palavras soando mais como um juramento do que como uma declaração.
Apolo virou-se novamente, agora com o olhar fixo em mim. O clima era pesado, os sons ao redor abafados. Ravena não sabia o que tinha despertado.
— Vocês precisam saber de algo — a voz de Ícaro nos tirou daquele momento.
Ele entrou na sala, a postura tensa, como se carregasse o peso de uma revelação perigosa.

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