Apolo
Por alguns minutos, pensei que meu mundo havia acabado. Vi minha mulher morrer na minha frente, mas a Deusa me trouxe ela de volta. Estava ao seu lado, sentindo seu cheiro que aos poucos ficava mais forte, uma lembrança viva de que ela estava aqui comigo. Isabella estava deitada ao outro lado, compartilhando do mesmo alívio que eu, após uma dor insuportável.
— Volte para nós, Luna. — Minha voz saiu num sussurro. Uma brisa forte soprou de repente, trazendo o cheiro de jasmim que invadiu minhas narinas e encheu meus pulmões. Isabella suspirou ao meu lado, sentindo o mesmo.
Quando me levantei, meu coração parou por um instante. Angel estava com os olhos abertos, vidrados em mim.
— Mamãe. — Isabella chamou, a voz trêmula, oscilando entre felicidade e medo. Meu coração apertou. E se ela ainda não se lembrasse de nós? Angel se virou lentamente para Bella, levantou as mãos e tocou o rosto dela.
— Oi, minha menina. — Sua voz era rouca, mas suave como um bálsamo. Isabella, num ímpeto de felicidade, lançou-se ao pescoço dela, abraçando-a com força.
— Senti tanto sua falta! — Bella dizia, soluçando em meio às lágrimas. Ela apertava Angel com tanta força que temi machucá-la.
— Bella, cuidado. Ela ainda está frágil. — Alertei. Isabella recuou, corando.
— Desculpe, mãe. Mas estou tão feliz que você voltou para nós. — Angel sorriu, aquele sorriso que sempre me desarmava.
Quando seus olhos verdes se voltaram para mim, fiquei imóvel. Por um instante, não soube o que fazer. E se ela me rejeitasse novamente? E se não se lembrasse de mim? Mas então, ela levou as mãos ao meu rosto. Fechei os olhos ao sentir o toque quente e familiar, deixando escapar uma lágrima.
— Achei que Alfas não choravam. — Sua voz veio carregada de um humor travesso. Abri os olhos e encontrei aquele sorriso nos lábios dela. Beijei as palmas de suas mãos com reverência.
— Minhas lágrimas são suas, Luna. Somente suas. — Falei, a voz embargada. Abaixei-me e tomei sua boca na minha, num beijo intenso e apaixonado. Queria que ela sentisse todo o meu amor, que nesse beijo percebesse o medo que tive de perdê-la.
— Pela Deusa! Tinham que fazer isso na minha frente? — Isabella reclamou, cortando o momento. Ri contra os lábios de Angel.
— Te amo, Luna. — Sussurrei.
— Te amo mais, Alfa. — Ela respondeu, selando minhas palavras com um beijo suave. Isabella jogou-se em nós como uma criança.
— E eu amo vocês dois! — Disse Bella, arrancando risadas nossas. Ficamos ali, juntos, como deveria ser. Depois de tudo o que passamos, e sabendo o que estava por vir, nos permitimos aquele momento de felicidade.
A porta se abriu e Willian, nosso médico, entrou.
— Alfa, peço desculpas pela demora. Fui informado só agora que Angel estava aqui. — Sua voz carregava um leve tom de culpa.
— Está tudo bem, Will. Leonardo fez um ótimo trabalho com nossa Luna. — Ele sorriu. Todos da minha alcateia a amavam pela Luna que ela já era, mesmo sem o título oficial — algo que logo mudaria.
— Avaliei o prontuário. Dafne já está fazendo um trabalho excelente. — Disse ele, num tom formal. — Seus exames estão ótimos. Como está sua cabeça? Ainda dói?
Angel franziu o cenho, confusa.
— Minha cabeça? — Perguntou, hesitante. Meu peito apertou ao lembrar-me do momento em que ela não se lembrava de nós.

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