Angel
O peso das emoções no ar era palpável. Todos ao meu redor demonstravam desconforto com minha decisão de aceitar Ravena entre nós e, ainda mais, de conversar com ela a sós.
— A sós, Alfa — pedi, colocando suavemente as mãos sobre o peito de Apolo.
— Se você pensa que vou deixar você ficar na mesma sala que ela, e sozinha… — A frase dele morreu assim que fiquei na ponta dos pés e lhe dei um beijo suave.
— Angel… — sussurrou, a voz carregada de preocupação. Enlacei seu pescoço, puxando-o para que nossas testas se tocassem.
— Confie em mim, Alfa — murmurei, olhando profundamente em seus olhos. — Por favor.
Mesmo contrariado, ele assentiu e convenceu Isabella a fazer o mesmo.
Quando entrei no escritório de Apolo, caminhei diretamente até sua cadeira e fiz sinal para que Ravena se sentasse. Ela obedeceu, sem perder a altivez. A força que emanava era quase tangível, como uma presença que preenchia o ambiente.
— Soube que você se recusou a ir embora. Por quê? — perguntei, em um tom firme, mantendo meu olhar fixo no dela. Olhá-la era como olhar para minha filha.
— Precisava saber se ficaria bem, se sobreviveria — respondeu, com uma hesitação evidente na voz.
— Não precisa mentir para mim, Ravena. Posso sentir sua hesitação. — Cruzei as mãos sobre a mesa, inclinando-me levemente para frente. — Diga, o que você realmente esperava?
Por um instante, algo brilhou em seus olhos, algo que não consegui decifrar.
— Esperava que estivesse morta. Pronto, era isso que queria ouvir.
Voltei a me recostar na cadeira, permitindo que um sorriso cínico surgisse em meus lábios. A confusão tomou conta de suas feições.
— Eu sabia. Só queria ouvir você dizer.
A raiva irradiou dela como uma onda, mas eu estava preparada dessa vez.
— Isso é um jogo para você, Angel? Fazer-se de boa moça para que eu a ataque novamente e deixe minha filha para você? — Sua voz se elevou, carregada de acusação. Do outro lado da porta, senti a presença de Apolo e Isabella.
— Ravena, se quer permanecer em minha alcateia e ter uma chance com nossa filha, recomendo que se controle.
Ela abriu a boca para protestar, mas ergui a mão, silenciando-a.
— Não a chamei aqui para colocar todos contra você. Você já fez isso por si mesma quando me atacou.
Ravena se sentou novamente, a postura rígida, mas havia algo em seu olhar: dor. A dor de uma mãe temendo o desprezo da filha, misturada com a arrogância e prepotência que pareciam inseparáveis de sua natureza Lycan.
— Então fale — disse ela, com autoridade.
Suspirei, deixando minhas mãos repousarem sobre a mesa.
— Quero que entenda que não sou sua inimiga. Temos problemas maiores do que nossos desentendimentos pessoais se aproximando.
Ela manteve o olhar fixo em mim, absorvendo cada palavra.
— Respeito as decisões que você tomou no passado. Não as entendo, mas respeito.
Ravena inclinou ligeiramente a cabeça, como se ponderasse o que eu dizia.
— No entanto, você precisa mudar suas estratégias. Não ganhará o coração de Isabella impondo autoridade ou recorrendo à violência.
Sua respiração se acelerou, e eu podia ouvir o ritmo irregular de seu coração.
— Me desculpe — disse ela, com a voz quebrada. — Você está certa no que disse, sabe?
Continuei a olhá-la nos olhos, encorajando-a a continuar.
— Tenho inveja de você. Da sua relação com minha filha. Da família que vocês construíram juntas. — Uma lágrima solitária escorreu por seu rosto, que ela limpou rapidamente.
— Eu desejei essa vida para mim. Perdi meu amor, minha filha. E, quando olho para você, sinto inveja.
Ravena abaixou a cabeça, permitindo que as lágrimas finalmente caíssem. Meu coração se partiu. Levantei-me e puxei uma cadeira ao lado dela, segurando suas mãos com firmeza.
— Olhe para mim, Ravena — pedi, suavemente.
Ela ergueu o olhar, e a culpa que carregava era evidente em seus olhos.

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