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Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas romance Capítulo 61

Isabella

Estava feliz por minha mãe estar bem, em casa e segura, mas ao mesmo tempo uma melancolia inesperada tomava conta de mim. Era como se cada resquício de preocupação e medo, que antes estavam escondidos, agora encontrassem espaço para se manifestar. A alegria de vê-la a salvo era acompanhada por uma sensação de fragilidade, como se meu coração finalmente permitisse sentir o peso do que quase perdi. Mas a presença de Ravena me incomodava mais do que eu queria admitir. Apesar disso, confiava em Angel com os olhos fechados. Sabia exatamente o que ela estava fazendo, e tenho orgulho não apenas da pessoa que ela é, mas também de quem me tornei por causa dela. Por ela, lutei contra a vontade de dar a Ravena o que ela merecia.

Enquanto esperava Rosa levá-las para sair, fiquei na expectativa, sentindo uma mistura de ansiedade e esperança. Meus pensamentos se dividiam entre a preocupação com o que estava por vir e a vontade de aproveitar cada instante ao lado de quem amava. Perguntava-me se aquele momento de calmaria era apenas a pausa antes de outra tempestade ou o início de algo mais tranquilo e estável. Meus pais precisavam desse momento juntos, e eu precisava me despedir de Logan. Já o tinha afastado por muito tempo de sua alcateia.

Quando voltei à sala, vi Logan conversando com Gabriel e um disperso Ajax. Ocultei minha presença — um dom Lycan que ainda estava aprendendo a dominar — e permaneci parada, admirando-o.

Logan era o tipo de homem impossível de ignorar, mesmo que quisesse. Cada vez que seus olhos azuis cruzavam com os meus, sentia como se o mundo ao meu redor desaparecesse, deixando apenas o som acelerado do meu coração. Sua simples presença evocava em mim uma mistura de nervosismo e fascinação, como se ele fosse ao mesmo tempo um enigma e uma resposta que eu ansiava descobrir. Era impossível não sentir o peso do impacto que ele tinha sobre mim, como se estivesse diante de uma força da natureza, irresistível e incontrolável. Seus cabelos loiros, que caíam até os ombros, estavam quase sempre presos em um coque despretensioso, mas impecável, como se ele soubesse exatamente o impacto que isso causava. Os olhos azuis, intensos e penetrantes, pareciam decifrar segredos com um simples olhar, como se enxergassem muito além da superfície.

A barba bem feita adicionava um toque de sofisticação ao seu rosto já perfeitamente esculpido, acentuando ainda mais sua mandíbula definida. Ele era alto, com impressionantes 1,95 de altura, e tinha um físico que beirava o exagero de tão perfeito. Seus braços eram grossos, musculosos, como se fossem esculpidos pelo próprio destino para intimidar e fascinar. As pernas torneadas e o abdômen definido não deixavam dúvidas de que ele era pura força e controle.

Logan tinha o hábito irritante — ou talvez estrategicamente calculado — de usar camisas que pareciam sempre um número menor, apertando contra seu corpo e deixando cada músculo em evidência, como uma exibição descarada de poder. Ele não precisava falar ou se mover para chamar atenção. Bastava estar presente.

Antes mesmo de sentir a força da sua aura, já era evidente que Logan era um Alfa. Sua presença não apenas dominava o ambiente, mas também parecia criar uma pressão invisível, como se todos ao redor instintivamente reconhecessem sua autoridade. Para mim, era como ser atraída para um vórtice — meus sentidos se aguçavam, meu coração disparava e uma mistura de respeito e fascínio se instalava. Cada movimento seu carregava uma energia crua, quase palpável, que fazia o ar ao seu redor vibrar, preenchendo o espaço com sua inconfundível essência de liderança e poder. Sua presença era tão marcante, tão carregada de imponência, que fazia o ar ao seu redor vibrar. Ele dominava o ambiente sem esforço, como se o próprio mundo se curvasse diante dele.

E o mais importante de tudo isso: ele era meu, não era? Suspirei com meus pensamentos e fui me aproximando dele. Ainda distraído, envolvi meus braços em sua cintura.

— Hei, está tudo bem? — perguntou preocupado. Assenti.

— Como ela está? — Ajax perguntou, aproximando-se.

— Minha mãe é a pessoa mais resiliente que conheço. Depois de tudo, ela ainda perdoou Ravena. — Vi algo brilhar nos olhos de Ajax. Parecia admiração, com uma pitada de orgulho.

— Angel é mais sabia do que ela mesma possa imaginar — Gabriel completou.

— Sim, ela é — respondi, aconchegando-me em Logan. Ele beijou minha cabeça e olhou para mim.

— Podemos conversar um minuto? — Ele assentiu. Falou com Ajax e Gabriel, pedindo que o aguardassem no carro. Assim que eles saíram, segurei suas mãos e o conduzi para as escadas. Ele me puxou levemente até seu peito e sussurrou em meus ouvidos:

— Para onde estamos indo, Isabella? — A forma como ele falou causou sensações em diferentes lugares. Um arrepio desceu da minha orelha até a ponta dos meus pés.

— Meu quarto — disse quase em um sussurro. Ele arqueou as sobrancelhas, e senti meu rosto esquentar na mesma hora.

— Não pense besteiras, Alfa Logan — cruzei os braços e o olhei séria. Ele sorriu para mim, dando-me um beijo na ponta do nariz.

— Só estou te provocando, amor. Você fica ainda mais linda com vergonha. — Revirei os olhos para ele, peguei em sua mão, e subimos até meu quarto.

Assim que entramos, ele olhava ao redor, parecia estar avaliando tudo. Tirei meus sapatos e fui até minha cama. A brisa que entrava pela sacada trazia um vento gelado, lembrando-nos que ainda era inverno.

Sentei-me na cama, e ele ficou parado na porta, me observando.

— Algum problema? — perguntei, franzindo a testa.

— Nenhum, estou só esperando. — Olhei confusa e perguntei:

— O quê? — Ele me olhou intensamente, como se me despisse apenas com o olhar. Senti meu rosto esquentar, como se estivesse nua sob seus olhos, mesmo estando vestida. Ficamos sozinhos quando estive hospitalizada, mas dessa vez era diferente. Era a primeira vez que estávamos juntos assim, sem preocupações, sem medos. Agora éramos um casal... ou não?

Minha Deusa, nunca rotulamos nosso relacionamento. Como será que ele me via? Como sua namorada? Companheiros nem sempre se assumem de imediato; alguns se entregam ao vínculo imediatamente, outros preferem se conhecer aos poucos. Esses pensamentos começaram a me consumir. Um medo terrível de que ele desistisse de mim surgiu. Ele era mais velho e, com certeza, tinha mais experiências.

Droga, eu era tão forte para algumas coisas, mas perto dele parecia uma criança frágil. Minha respiração começou a acelerar. Ártemis, percebendo meus medos e minha ansiedade, tentou assumir o controle.

O quarto parecia mais quente, e o ar, mais pesado. As paredes pareciam se aproximar. Eu mal conseguia distinguir as palavras que Logan dizia, mas o tom de sua voz, baixo e grave, perfurou minha bolha de ansiedade como um sussurro acolhedor. Sua voz era como uma melodia divina.

— Amor, respira — disse ele, com calma.

Quando voltei a mim, Logan estava sentado à minha frente, acariciando meu rosto enquanto tentava me tranquilizar.

— Me desculpe — murmurei, sentindo a vergonha queimar meu rosto.

— Pelo quê? — Ele franziu a testa, confuso, mas não parou de acariciar meu rosto.

— Por não conseguir me controlar. Não controlo Ártemis, não controlo minha ansiedade e nem meus sentimentos por você — suspirei, abaixando a cabeça, envergonhada por admitir isso.

Logan colocou os dedos sob meu queixo, levantando delicadamente minha cabeça para me fazer encará-lo.

— E por que você teria que controlar seus sentimentos por mim? — A confusão era evidente em seus olhos e em sua voz. Suspirei, derrotada, sem saber se deveria contar a ele. E se ele pensasse que eu queria obrigá-lo a ficar comigo?

Afastei-me, encostando na cabeceira da cama. Peguei uma almofada e a coloquei no colo, precisando segurar algo para esconder o tremor das minhas mãos.

— O que nós somos? — perguntei com firmeza, tentando disfarçar o quão vulnerável me sentia naquele momento.

— Companheiros — respondeu ele, sem hesitar. Mas percebi um leve tom de irritação em sua voz. Pelas emoções que vinham dele, ele não estava nada contente com a conversa.

— Sim, somos companheiros. Mas não era nesse sentido que estou perguntando — repliquei. Logan inclinou levemente a cabeça, como se eu tivesse três olhos. Suspirei antes de continuar:

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