Isabella
Preciso ser sincera: Ethan mexeu comigo de uma forma que ainda não consigo explicar. Mas, no instante em que vi Logan se afastar, foi como se meu coração tivesse sido partido ao meio. Eu o amava. Não havia, nem jamais haveria, espaço para outro homem no meu mundo. Meu respirar, minha existência, tudo nele encontrava sentido. Sem Logan, viver perdia o propósito. Felizmente, ouvir minha mãe sempre foi a escolha mais sensata, e graças a ela, agora estava nos braços do meu amor. Com uma certeza: nada nem ninguém nos separaria novamente. Precisávamos desse momento. Precisávamos sentir um ao outro, renovar nossa conexão e reafirmar que éramos, de fato, um só. Por um instante, só um instante, podíamos deixar o caos lá fora e nos perder naquilo que realmente importava: sermos o casal apaixonado que nascemos para ser.
— Preciso ir. — Murmurei suavemente para Logan. Estávamos no sofá de seu escritório, deitados de conchinha.
— Só mais um pouquinho. — Ele sussurrou no meu ouvido, fazendo arrepios percorrerem meu corpo. Santa lua cheia, até um sussurro dele tinha o poder de me excitar.
— Se controle, mocinha. Resisti uma vez, mas não vou conseguir de novo. — Sorri, virando-me para ficar de frente com ele.
— Não é culpa minha. Quem mandou você ser um verdadeiro Adônis? — Ele riu com vontade, e o som aqueceu meu coração. Minha Deusa, como eu amava esse Alfa.
— Agradeço o elogio, mas você já se olhou no espelho hoje, amor? — Ele deslizou o nariz pelo meu rosto, sentindo meu cheiro. Esse gesto carinhoso estava se tornando sua marca, e eu adorava. Fechei os olhos, aproveitando o momento. Quando os abri, encontrei seus olhos fixos em mim, me admirando como se eu fosse a única coisa que importava no mundo. Suspirei, e ele sorriu.
— Preciso saber... — Ele começou, sem desviar o olhar. — O que você andou assistindo para agir assim hoje? — Soltei uma risada, jogando a cabeça para trás.
— E o que te faz pensar que aprendi assistindo? — Provoquei, levantando as sobrancelhas.
— Isabella. — Seu tom de voz mudou, tornando-se mais sério.
— O que foi, Alfa? — Dei um beijo leve em seu nariz. — Você não gostou? — Perguntei num tom baixo e sedutor. Ele rosnou, tomando minha boca com a sua em um beijo ardente, deixando claro o quanto me desejava. Quando nos separamos, ofegantes, ele segurou meu rosto com firmeza.
— Meu problema não é gostar, é quem te ensinou. — Ele mordeu meu lábio inferior, arrancando de mim um gemido involuntário. Mantive minha postura sedutora; esse jogo era meu. Cheguei perto de seu ouvido, minha voz baixa, quase um sussurro:
— Um mágico nunca revela seus truques. — Depositei um beijo suave em sua orelha, e ele gemeu instantaneamente. Antes que eu percebesse, ele me virou, me posicionando com as costas contra o sofá enquanto ficava sobre mim. Seu corpo roçou no meu, e eu arfei ao sentir sua excitação.
— É isso que sua mágica faz comigo, sua pestinha. — Sua voz transbordava desejo, e seus olhos eram puro fogo. Quando nossos lábios se encontraram novamente, um som em minha mente interrompeu o momento.
— Bella, precisamos ir. — Era a voz da minha mãe através do link. Coloquei as mãos no peito de Logan, e ele parou imediatamente, afastando-se com relutância e me ajudando a sentar.
— O que houve? — Logan perguntou, preocupado.
— Minha mãe. — Respondi rapidamente, levantando-me e ajeitando minha roupa de qualquer jeito.
Lembrei que ela ainda estava lá. Apressei-me a calçar os sapatos enquanto andava, mas tropecei no processo. Logan foi mais rápido e me segurou antes que eu caísse.
— Amor, cuidado. — Ele me ajeitou, afastando uma mecha de cabelo do meu rosto com delicadeza.
— Preciso ir, Alfa. Meu pai vai ficar furioso pela demora. — Peguei em suas mãos, puxando-o apressadamente para fora.
Atravessamos a casa. A mãe de Logan, que não havia me recebido, simplesmente desapareceu sem sequer me dirigir uma palavra. Aquilo me incomodava mais do que eu queria admitir. Logan percebeu minha tensão e, como sempre, soube o que fazer. Ele me puxou para mais perto, segurando meu rosto com as mãos.
— Dê tempo a ela. — Ele disse, acariciando minha pele com o polegar.
Assenti, mas o nó no meu peito permaneceu. Seguimos em frente, e logo avistei minha mãe. Ela estava visivelmente transtornada, e meu coração apertou. Sem pensar, corri até ela.
— Mamãe?! — Minha voz saiu carregada de preocupação ao vê-la com os olhos vermelhos de tanto chorar.
Uma onda de raiva tomou conta de mim. Olhei ao redor, procurando o responsável. Foi então que meus olhos pousaram em Ajax.
Um rosnado escapou antes que eu percebesse, e avancei contra ele, o instinto me guiando.
— Isabella, não! — Minha mãe gritou, mas eu não parei.
Logan, como se soubesse exatamente o que eu faria, entrou na minha frente. Ele segurou meu pulso com firmeza, os dedos fazendo movimentos suaves e circulares sobre a minha pele, enquanto sua testa encostava-se à minha.
— Respira, amor, por favor. — Sua voz baixa e tranquila foi suficiente para acalmar a mim e Ártemis.
— Bella, Ajax não fez nada. — Minha mãe suspirou profundamente. Sua voz soava cansada e quebrada. — Foi minha mãe...
As palavras dela me atingiram como um soco no estômago. Olhei para Ajax, ainda tentando processar tudo, mas senti os sentimentos dele por ela. Apesar de tudo, ele se importava.
Virei-me para minha mãe e a abracei, apertando-a com força.
— Sinto muito. — Murmurei contra seu ombro.
— Só quero ir embora daqui, querida. Por favor. — A fragilidade em sua voz me despedaçou. Ela sempre foi a rocha de todos nós. Como alguém pôde machucá-la dessa forma?
— Vamos, mamãe. — Disse, tentando esconder minha própria dor.
Logan decidiu nos acompanhar. Com os lycans ainda escondidos e Ethan solto por aí, ele não queria arriscar nada.
Ajax foi no carro de Logan, enquanto ele dirigia o da minha mãe. Eu me sentei ao lado dele, no banco do passageiro, e fiquei observando minha mãe pelo retrovisor. Ela olhava para a paisagem sem realmente enxergar nada. Cada lágrima que escorria de seus olhos era como uma faca cravada no meu peito.
Senti a mão de Logan buscar a minha. Apertei seus dedos com força, sem dizer nada, e lancei-lhe um olhar agradecido. O caminho até em casa pareceu interminável.
Enviei uma mensagem ao meu pai, contando apenas o básico: que a mãe de Angel havia a feito chorar. Quando chegamos, ele já estava nos esperando. Assim que minha mãe saiu do carro, ele a envolveu em um abraço apertado.
Ela chorou no ombro dele, e ele, sem dizer nada, a pegou no colo, deu-lhe um beijo suave na cabeça e a levou para dentro.
Ficamos todos parados, observando. Angel não havia conquistado apenas meu coração e o do meu pai; ela tocava a todos. Até Ravena, com toda sua pose arrogante, parecia se derreter por ela.
Logan me abraçou por trás, seu braço envolvendo minha cintura.

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