Apolo
Eu não queria que Angel levasse Isabella até Nox, mas sentia o medo e a dor da minha filha. Não podia impedir. Gabriel e Dandara ficaram para me ajudar com os estragos que aqueles Lycans haviam feito. Demorei resolvendo os problemas das fronteiras, e, assim que cheguei em casa, vi que as duas ainda não haviam voltado. Quando Isabella se comunicou comigo, a raiva e o medo tomaram conta de mim. Ela não disse nada que fizesse sentido, mas, assim que fui avisado de que o carro entrou na propriedade, saí para encontrá-las. O que eu vi me quebrou: minha Luna parecia destruída. Sem pensar, fui até ela, a peguei e carreguei para o nosso quarto.
Subi as escadas com ela em meu colo, seus braços envoltos ao meu pescoço e o rosto enterrado em meu peito. Abri a porta, fechei-a com o pé e a deitei na cama. Virei-me para buscar algo — talvez um chá a acalmasse.
— Por favor, não me deixa. — A tristeza em sua voz, a dor, eram quase palpáveis.
Suspirei, sentei-me ao seu lado. Ela subiu em meu colo no mesmo momento. Abracei-a e passei as mãos por seus cabelos, na esperança de que aquilo, de certa forma, a trouxesse paz.
— Fui visitar minha mãe. Pensei que, depois de todos esses anos, talvez, por um momento, ela tivesse sentido minha falta. — Angel agarrou minha camiseta, e seu choro me rasgou por dentro.
— Quer me dizer o que aconteceu? — perguntei de forma suave e plantei um beijo em sua cabeça.
— Pedi para que Ajax me levasse até lá. — Meu corpo enrijeceu no mesmo instante. Linus rosnou em minha mente ao ouvir o nome dele, mas me controlei, deixando que ela falasse. — Quando chegamos, ele saiu para nos dar privacidade.
Ela parou por um momento, como se cada palavra estivesse queimando em sua garganta enquanto as pronunciava.
— Ela nem sequer chegou perto de mim. Mandou-me embora. Disse que eu sempre fui culpada de todas as suas desgraças. — Seus olhos pareciam duas cachoeiras, jorrando água ininterruptamente. — Disse que eu não era filha dela. Pensei que fosse porque ela havia me renegado.
Ela soluçava como uma criança e, levantando a cabeça, olhou para mim.
— Eu não sou filha dela, Apolo, nem do meu pai. Minha mãe biológica me abandonou para fugir com outro lobo, deixando-me com seu marido, que me jogou no rio. — Sua voz era quebrada, o desespero evidente em cada palavra. — Ele queria que eu morresse. Sempre fui rejeitada. Por toda a minha vida, nunca fui a escolha, nunca fui merecedora de amor.
Ela desmoronou, e eu fui junto com ela. As lágrimas, mesmo que silenciosas, escorriam pelo meu rosto. Senti-me culpado. Eu também contribuí para que ela se sentisse assim, fazendo dela minha amante por anos e nunca a assumindo.
Segurei seu rosto em minhas mãos, olhando para aqueles olhos verdes, que eram sempre vivos, mas hoje estavam apagados. Levei meus lábios aos dela — um beijo suave, mas cheio de amor. Fechei os olhos e encostei minha testa na dela, aspirando seu cheiro delicioso de jasmim.
— Me desculpe, meu amor, por tudo.
Ela colocou as mãos em meu rosto. Sentir seu toque aquecia minha alma. Quando abri os olhos, ela estava olhando para mim.
— Meu pai me achou e levou-me para sua casa. Cuidou de mim como sua verdadeira filha. — Tirei uma mecha de seu rosto enquanto ela continuava: — Mas minha mãe não me queria. Ela nunca quis filhos. Essas foram as palavras dela. Quando meu pai morreu, tornei-me um fardo. Ela disse que chegou a encontrar minha mãe biológica, mas ela também não me queria. — Suas lágrimas voltaram a cair, e fui secando com meus polegares. — Ela disse que o melhor teria sido se Atlas tivesse me matado, porque eu sou um fardo, uma rejeitada. Fui rejeitada pelos meus próprios pais, pelo meu companheiro. — Ela suspirou antes de continuar: — E ela disse que você não me ama, que vai me rejeitar como todo mundo, que nem minha filha é minha.
A angústia que emanava dela... Ela acreditou em cada palavra daquela m*****a.
— Querida, você sabe que nada disso é verdade, não é? Aquela mulher só queria te ferir. — Precisava que ela soubesse que nada daquilo era verdade, que eu a amava mais do que qualquer coisa neste mundo, que nada mudaria isso.
— Eu vim o caminho todo dizendo isso para mim mesma. Mas não consigo, Apolo. As palavras dela martelam dentro de mim.
Eu ia matar aquela mulher, fazer picadinho dela.
— Não tive forças para mais nada. Se não fosse por Ajax, eu estaria lá jogada no chão até agora.
Ajeitei-me sob ela, desconfortável com o fato de que ele estava lá na hora em que ela mais precisou e eu não.
— Ele estava te esperando? — perguntei, minha voz saindo mais grave do que gostaria.
Ela negou com a cabeça.
— Ele sentiu minha dor, por isso foi até lá.
Senti a fúria crescer em cada célula do meu corpo. Tirei-a do meu colo e me levantei. Não conseguia nem olhar para ela. Eu sabia o que aquilo significava: ele a sentia, assim como ela o sentia. Passei as mãos pelo rosto e comecei a andar de um lado para o outro. Não queria perguntar porque não queria ouvir aquilo que já sabia.

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