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Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas romance Capítulo 69

Isabella

Ainda estava chateada com minha discussão com Logan — parece que nunca conseguimos nos entender. Quando penso que estamos bem, caminhando para o auge do nosso relacionamento, algo acontece. A única pessoa que me entende — e tem a paciência de me ouvir e aconselhar — é minha mãe. Mas, depois do que aconteceu com ela, não sabia se seria uma boa amolá-la com os meus problemas. Só que algo dentro de mim me conduziu até seu quarto; acho que eu só queria o colo dela, os carinhos que sempre me ajudavam.

Quando cheguei em seu quarto, tudo aconteceu muito rápido: seus gritos — as vozes não param —, a dor que ela sentia, seu desespero. A primeira pessoa que veio à minha mente foi Gabriel, mas assim que ele chegou e eu me virei, Dafne assumiu e fugiu pela janela. O que eu não sabia é que as coisas só iriam piorar. Quando desci para contar ao meu pai, uma dor me atingiu e ouvi Logan uivar ao longe. O lobo de Ajax correu para encontrá-lo, e Ártemis assumiu sem nem mesmo me avisar. Não me importei com nada, e nem ninguém, estava preocupada com a minha mãe, mas ela tinha meu pai e Gabriel.

— Ártemis, você consegue senti-lo? — perguntei enquanto corríamos em direção à floresta.

— Sim, estamos próximos. — Assim que ela terminou de falar, senti uma pontada em meu peito, como se algo atravessasse meu coração.

— Ártemis! — a chamei, e ela choramingou.

— Orion está ferido. — Continuei correndo, meu pai disse alguma coisa, mas sua voz parecia distante, eu só me importava em chegar até Logan. Percebi que estávamos sozinhas, cada um foi para um lado. De repente, um cheiro de cedro com o leve frescor de patchouli encheu meus pulmões.

— Logan. — Chamei através de nossa conexão.

— Isabella, vá embora. Agora! — Ele disse, sentia sua dor, seu medo, e algo mais que não consegui distinguir.

— Ártemis, onde ele está? — perguntei aflita, precisava encontrá-lo.

— São muitos, Isabella. Estão ocultando seus cheiros, mas ainda sinto suas auras. — Não me importava se era um exército, eu só queria encontrar Logan.

— Precisamos de um plano, Isabella, já estamos perto. — Ponderei suas palavras, tentando pensar em algo que fizesse sentido.

— Você disse que não pode sentir o cheiro, mas consegue sentir a aura. O que exatamente isso significa? — Ela foi se esgueirando para trás de uma árvore, para avaliarmos onde estávamos e decidirmos nosso próximo passo.

— Sim, eles enganam meu olfato. Mas não o meu instinto. — Agora entendia o que ela queria dizer. Todos nós tínhamos os sentidos mais aguçados, principalmente o olfato e a audição. Mas nossos instintos iam além do normal; não se limitavam à autopreservação ou à sobrevivência. O nosso instinto ia muito além disso.

— Isabella! — A voz de Logan era um sussurro em minha mente. — Por favor, amor, volte para casa. Eles sabem que você está aqui. — Antes de responder, senti novamente a dor no peito.

— O que estão fazendo com você? — Perguntei, a angústia evidente em minha voz. Mas só houve o silêncio.

— Logan! — Chamei. — Fala comigo, por favor. — Disse, quase um murmúrio.

— Ártemis, precisamos saber onde exatamente ele está. Assim que souber, vamos atacar. — Minha voz era pura determinação.

— Tem certeza disso? — Na realidade, eu não tinha. Sabia que minhas habilidades estavam melhorando e confiava na capacidade de Ártemis. Mas tinha medo de não conseguir e acabar prejudicando Logan.

— Sim, vamos atacar. — Algo explodiu dentro de mim. — E vai ser sem piedade. — Rosnei, a fúria tomando conta.

O ar estava pesado, quase sufocante, como se a floresta soubesse que o confronto estava prestes a começar. A fúria, o instinto assassino... tudo isso fazia parte de mim, era impossível de controlar. Os Lycans avançaram, rápidos e ferozes, com garras prontas para dilacerar. O primeiro Lycan saltou em nossa direção, mas Ártemis se moveu com uma velocidade surreal, mais ágil que qualquer um deles poderia ser. Sua boca se abriu, as presas afiadas se revelando, e com um movimento preciso, ela cravou suas garras no Lycan, rasgando a carne dele sem misericórdia. O monstro uivou em agonia, mas Ártemis não hesitou. Ela girou, como uma sombra, e em um único golpe, suas presas se cravaram na garganta do Lycan, esmagando sua vida.

Senti o gosto do sangue do Lycan, e aquilo só me atiçou mais, eu não queria pausa, queria sangue. O segundo Lycan, em uma tentativa de me pegar de surpresa, saltou, mas sentia minha mente unificada com a dela. Sabíamos o que fazer, como mover cada músculo, como antecipar os movimentos do inimigo. Ártemis atacou de novo, suas garras afiadas dilacerando a carne do monstro que caiu, já morto antes de sequer tocar o chão.

— É o último, Isabella. — Ártemis murmurou, sua voz cheia de uma selvageria que só ela possuía.

O último Lycan não teve chance. Ele tentou atacar com uma fúria cega, mas a velocidade e a força de Ártemis o derrubaram rapidamente. Ela saltou, suas garras cravando-se em seu pescoço, e ele caiu, sem vida, antes de sequer perceber o que aconteceu.

— Os outros, covardes, fugiram. — Ártemis disse, seu tom implacável enquanto olhava para os corpos

caídos ao redor. A selvageria estava presente em cada célula do meu corpo, e a sensação de conquista preenchia a alma, como uma fome insaciável.

Ainda sentia a fúria, a necessidade de destruir qualquer ameaça. Ártemis e eu éramos uma só. E ninguém, nem mesmo esses Lycans, seria capaz de nos derrotar.

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