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Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas romance Capítulo 68

Ajax

Ainda estava mexido com tudo que tinha acontecido nas últimas semanas. Desde que voltei e revi Angel, nosso vínculo se reacendeu—algo que eu nem sabia ser possível. Quando conversei com o Ancião, ele explicou que, mesmo tendo-a rejeitado, o vínculo só seria quebrado se fôssemos acasalados e marcados por outros companheiros. Aquilo me deu uma esperança.

Mas essa esperança logo se dissipou quando vi o amor dela por Apolo. Eu precisava do vínculo para ter o amor de Angel, enquanto Apolo... só precisava respirar.

Senti o momento em que ele a marcou. Era como se uma linha invisível, que ligava meu coração ao dela, tivesse sido brutalmente rompida. A dor que invadiu meu peito foi maior até do que a que senti quando seu coração parou de bater. Sem ela, já não havia mais sentido em viver.

— Acho que sabe o motivo de eu ter te chamado aqui — disse Apolo, tirando-me dos meus pensamentos.

— Vai me pedir para sair da sua propriedade e nunca mais voltar? — respondi, sério. Um sorriso brincou em seus lábios. Ele iria tripudiar sobre a minha dor. No fundo, eu merecia. Afinal, fui eu quem a rejeitei.

— Não seria má ideia — respondeu, provocativo.

— Se é o que quer, é só dizer. Mas não vejo mais motivo para isso agora que a marcou. — Olhei diretamente em seus olhos e continuei: — Eu não era uma ameaça antes, e sou menos ainda agora.

Doía dizer aquilo, mas era a verdade. Eu amava Angel, e sei que ela me amava. Mas nunca fui uma ameaça, porque o amor que ela sentia por Apolo foi construído, ano após ano. Enquanto o meu... sempre foi uma ilusão.

— Você está certo, Ajax. Você nunca foi uma ameaça. — Apolo falou, sua voz firme, mas carregada de convicção. — Só percebo isso agora. Tive dúvidas, admito. Não sabia se o amor de Angel por mim seria forte o suficiente para vencer um vínculo como o de vocês.

Ele caminhou até o aparador, pegou uma garrafa de uísque, encheu dois copos e me entregou um. Bebeu o outro em um único gole antes de continuar:

— Hoje, vejo que nosso laço não depende desse vínculo. Nosso companheirismo foi construído em algo muito maior, e isso jamais será quebrado.

Apolo se aproximou da mesa, encostou-se nela e me encarou. Seu olhar carregava a autoridade de um Alfa que não precisava de mais palavras para mostrar sua força.

— Não quero que vá embora. Nem se afaste. Angel me convenceu de que temos problemas maiores para resolver.

Seu tom era duro, quase impassível, mas deixava claro que essa decisão não o agradava totalmente.

— Agradeço. — Respondi, sincero, tentando ignorar o peso das palavras que estavam por vir.

Apolo descruzou os braços e deu alguns passos na minha direção, seu olhar se tornando mais intenso, quase mortal.

— Mas entenda isso, Ajax: não abuse da sorte. Não tolerarei qualquer tipo de intimidade com a minha Luna. — Sua voz engrossou, carregada de um poder que parecia preencher toda a sala. — Somos aliados agora, porque temos um inimigo em comum. Mas Angel é, e sempre será, minha Luna.

Engoli em seco. Dusk, meu lobo, permaneceu em silêncio, mas uma parte de mim sentiu o peso dessas palavras como um juramento.

— Como já disse, Apolo, não sou uma ameaça.

Ele assentiu, mas seus olhos não me deixaram por um segundo. O silêncio foi interrompido por batidas na porta.

— Entre. — Apolo ordenou.

Dandara apareceu, seu semblante carregado de urgência.

— Alfa, preciso de sua ajuda. É Ravena.

Dusk reagiu instantaneamente. Senti um calafrio percorrer minha espinha, um desconforto que parecia nascer de algo mais profundo. Meu lobo estava inquieto, impaciente.

Apolo estreitou os olhos, percebendo minha reação.

— Está bem, Ajax?

— Hã... sim. Acho que sim. — Respondi, tentando soar firme, mas a verdade era outra. Dusk queria ir até Ravena, e eu não sabia por quê.

— O que houve, Dandara? Fale logo! — Minha voz soou mais ríspida do que o necessário. Tanto Apolo quanto Dandara me lançaram olhares confusos, e eu mesmo fiquei surpreso com minha reação. Na verdade, era Dusk reagindo mais do que eu.

— Ela sofreu uma emboscada. Se conectou comigo. — A voz de Dandara tremia, e o desespero em seus olhos era quase palpável. — Conseguiu se esconder, mas ela não tem a força de Lina em sua forma humana.

Apolo e eu trocamos um olhar perplexo. Como isso era possível?

— Lina se fechou para Ravena desde a morte de Max. Ela a culpa. — Dandara suspirou profundamente, como se cada palavra lhe pesasse na alma. — Ravena tem o dom, isso é irrevogável. Mas o poder de Lina... Ela nunca mais teve.

Antes que eu pudesse perguntar, Apolo interveio:

— Mas a Lycan dela emergiu no aniversário de Isabella. Ela atacou Angel.

Ele tinha um ponto, mas minha mente estava presa na sensação de urgência. Cada segundo perdido parecia uma eternidade, e Ravena precisava de nós.

— Eu sei. — Dandara respondeu, quase em um sussurro, com os olhos baixos. — Mas Lina age quando deseja. Nas duas situações foi por Isabella, não por Ravena.

A tristeza dela era evidente. O carinho que sentia por Ravena transparecia em sua dor. Antes que pudéssemos processar o que ela disse, ouvimos um estrondo, pareciam vidros se quebrando. Apolo saiu do escritório, Dandara e eu fomos atrás dele. Isabella desceu as escadas correndo, o desespero estampado em seu rosto.

— Isabella, o que houve? — Apolo reagiu imediatamente, indo em direção à filha.

— Pai, minha mãe... — Ela estava ofegante, mas Apolo a interrompeu antes que pudesse terminar.

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