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Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas romance Capítulo 79

Ajax

Eu aguardava os outros no escritório de Apolo, com Ravena ao meu lado. Não tivemos muito tempo para conversar sobre o vínculo, mas ele se manifestava nos pequenos detalhes—no modo como nos olhávamos, na necessidade silenciosa de proximidade, nas desculpas que encontrávamos para nos tocar. A corrente elétrica que percorria meu corpo a cada simples toque dela era diferente de tudo que senti por Angel. Eu a amei. De certa forma, talvez ainda amasse. Mas o que Ravena despertava em mim era algo completamente distinto, algo que jamais experimentei antes.

Quando a porta se abriu, soube que eram Logan e Isabella. Queria resolver aquilo logo, me livrar das formalidades e ficar a sós com Ravena. Mas, antes que pudesse me concentrar nesse desejo, algo familiar me atingiu—uma presença impossível, uma sensação que achei que nunca mais sentiria na vida.

Dusk se agitou, e percebi que Orion também dava trabalho para Logan. Ele sentia o mesmo. Assim que a figura atravessou a porta, minhas suspeitas se confirmaram, e as palavras escaparam antes que eu pudesse contê-las:

— Pai?

Minha voz saiu quase num sussurro.

Ele me olhava incrédulo, como se o fantasma ali fosse eu e não ele, que havia morrido há mais de vinte anos. Quer dizer... morrido, não. Ele estava mais vivo do que nunca.

Por um instante, ele não teve reação. Seus olhos se alternavam entre mim e Logan, como se buscasse uma verdade oculta em nossos rostos.

Senti quando Ravena se aproximou, sua mão segurando a minha, me ancorando de volta à realidade.

— Ajax, esse é Hélio. Antigo Beta de meu avô e tio de Apolo.

Virei para ela, tentando processar suas palavras. Elas não faziam sentido. Meu pai foi um Beta, um dos mais honrados. Mas ele havia recebido a alcateia Nox como um presente do antecessor do rei Alexander, tornando-se Alfa por mérito.

Apolo entrou no escritório com Angel ao seu lado. Ele percebeu o clima no ar, seus olhos alternando entre mim e Logan, confusos. Então, se aproximou do meu pai.

— Tio, que bom que está aqui. — Apolo o abraçou, e meu pai retribuiu com carinho. Aquilo mexeu comigo mais do que eu gostaria.

Soltei-me de Ravena e caminhei em direção a ele, minha mente fervilhando de perguntas.

— Pode me explicar? — Minha voz saiu tensa. — Como pode estar vivo? Como pode ser tio de Apolo e nunca ter me contado?

Dessa vez foi Apolo quem se surpreendeu. Logan me observava, tão perdido quanto eu. Ele só tinha seis anos quando meu pai supostamente morreu, mas o admirava profundamente. Atlas, no entanto, tirou até isso de nós. Depois da morte do nosso pai, ele proibiu qualquer menção a ele, apagando todas as suas lembranças da casa. Será que Atlas sabia que ele sempre esteve vivo? De repente, algumas coisas começaram a fazer sentido.

— Conversaremos na hora certa, filho. Neste momento, há coisas mais importantes. — Seu tom era sério, indiferente.

O rugido que escapou de mim ecoou pelo escritório. Dusk avançou, exigindo respostas tanto quanto eu. Antes que pudesse me controlar, agarrei a camisa do meu pai. Senti Logan e Ravena ao meu lado, enquanto Apolo rosnava em advertência.

— Tem noção de tudo o que Atlas fez comigo todos esses anos? No momento em que abriu mão de tudo e me abandonou, eu vivi o inferno! — Meu coração estava na boca, mas a raiva me consumia. Eu perdi minha mãe, minha irmã e minha sobrinha para os rogues. Meu pai desistiu de viver e me deixou, aos quatorze anos, nas mãos de Atlas.

— Ajax, por favor, se acalme. — Ravena colocou as mãos em meu braço. Seu toque trouxe uma leve sensação de calmaria. Olhei em seus olhos azuis; seus cabelos loiros esvoaçavam com o vento que entrava pela janela. Soltei-o imediatamente.

— Certo, parece que temos problemas sérios aqui. Mas podemos deixar isso para depois? — disse Apolo. Eu o entendia. Angel, Isabella... todos nós corríamos perigo. Mas era a minha vida, e o fato de meu pai — uma das pessoas que deveriam me amar e proteger — ter me abandonado. Esse sentimento corroía tudo dentro de mim.

— Sinto muito, Apolo. Talvez seja melhor eu me retirar. — Dei as costas, caminhando até a porta. Ouvi Logan me chamar, mas não me virei. Senti seus passos atrás de mim, mas antes que ele me alcançasse, uma voz o interrompeu:

— Fique, Logan. Eu falo com ele.

Não precisei me virar para saber que era Ravena. Assim que cheguei à entrada da casa e comecei a caminhar para o carro, uma mão envolveu meu pulso, me fazendo parar.

— Sabe que estou atrás de você. Por que simplesmente não para? — Seu tom era suave, mas carregava uma leve irritação.

— Não tenho intenção de ficar aqui. — Tirei sua mão gentilmente do meu pulso e voltei a caminhar. Ela não cedeu e seguiu ao meu lado.

Parei por um instante e olhei para ela.

— Quer me dizer onde está indo? — Eu era puro ódio, e não queria descontar isso nela.

— No mesmo lugar que você. — Sua resposta veio sem esforço, como se fosse óbvia. E continuou andando.

— Isso não é engraçado, Ravena. Você nem mesmo sabe para onde vou!

Ela me encarou novamente, com um sorriso malicioso.

— Sinto suas emoções, e Dusk faz questão de me mostrar seus pensamentos. — Colocou a mão na cintura, mantendo sua postura arrogante de sempre. — Sei exatamente onde está indo, querido.

Sua confiança vacilou no instante seguinte. Assim que as palavras saíram, pareceu perceber o que havia dito. Seu rosto corou.

Foi minha vez de sorrir.

— Desde que se mantenha em silêncio, pode me acompanhar então... — caminhei até ela, levando minha boca bem perto de seu ouvido antes de concluir: — Querida.

Senti suas emoções à flor da pele, e o arrepio que causei nela só atiçou a mim e a Dusk.

Ela fez como pedi e ficou em silêncio durante todo o caminho. Havia um bar na estrada, a caminho do centro da alcateia. Era um lugar rústico, onde muitos lobos se refugiavam para esquecer seus problemas. Não era o ambiente ideal para uma Rainha, muito menos para minha companheira. Mas Ravena parecia decidida a não me deixar sozinho.

Assim que chegamos e entramos, todos os lobos se viraram para olhar a loira deslumbrante ao meu lado. Ela vestia um macacão que acentuava cada curva de seu corpo. Os genes de lobo nos favoreciam, mas os de Lycan iam além — essa mulher era uma verdadeira Deusa. Coloquei a mão em sua cintura, puxando-a para perto em um gesto possessivo. Ela me deu um leve rosnado, mas o ignorei. Precisava deixar claro para aqueles malditos que ela era minha.

— Ou entramos assim, ou pode dar meia-volta e ir embora. — Meu tom foi autoritário.

Ganhei outro rosnado, mas a puxei ainda mais para perto, e seguimos até uma mesa ao fundo. Assim que chegamos, levei novamente meus lábios próximos ao seu ouvido e sussurrei antes de nos sentarmos:

— Boa menina.

O tapa que levei foi tão forte que me fez gargalhar. Mas, sem dizer uma palavra, ela se sentou ao meu lado.

A garçonete logo se aproximou. Eu já era conhecido por ali. Frequentava aquele bar desde a adolescência, e desde que voltei da Europa, ele praticamente se tornou minha segunda casa.

— Ei, sexy, o de sempre para você? — perguntou, tocando meu braço e traçando com os dedos a cicatriz ali.

Ravena rosnou para a mulher imediatamente, seus olhos mudando de azul para vermelho, assustando a pobre garota.

— O mesmo, Lili. Para mim e para minha amiga. — Pisquei para ela, o que irritou Ravena ainda mais.

Assim que Lili saiu, Ravena se virou para mim, os olhos semicerrados.

— Amiga?

Aproximei meu rosto do dela, levando minha mão até seus cabelos e colocando uma mecha atrás de sua orelha.

— Não somos amigos, Rainha?

Senti sua respiração se misturar com a minha. Seus olhos deslizaram até meus lábios e depois voltaram para os meus. Quando fui me aproximando para beijá-la, a garçonete chegou com as bebidas. Ravena se afastou imediatamente.

— Se precisarem de mais alguma coisa, é só chamar.

Agradeci, peguei a garrafa e servi a mim e Ravena.

— Saúde, Rainha.

Brindei com ela e tomei o líquido em um único gole, sentindo a queimação descer pela garganta. Ravena deu um pequeno gole e tossiu na mesma hora. Ri do seu jeito, o que só a irritou ainda mais.

— Quem bebe isso? Pela Deusa, é horrível!

Peguei seu copo e terminei o restante de sua bebida. Enchi o meu novamente e bebi tudo de uma vez antes de piscar para ela.

— É sério, Ajax. Você veio aqui para encher a cara? — Ela cruzou os braços e me observou.

— Sim! — Respondi, bebendo mais um copo.

Ela me olhava como se não me reconhecesse.

— O que você achou que eu faria? Que viria até aqui para lamentar o fato de meu pai ter fingido a própria morte?

Enchi mais um copo e o virei de uma vez.

— Ou que ficaria remoendo o fato de ele ter me abandonado nas mãos do meu irmão abusivo?

Dessa vez, não me dei ao trabalho de encher o copo. Peguei a garrafa e bebi direto do gargalo.

Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto, as sequei imediatamente e voltei a garrafa para a mesa, vi Ravena me observando. Aquelas safiras pareciam alcançar minha alma.

Ela não disse nada, apenas me olhava, como se tentasse decifrar algo em mim. Eu deveria desviar o olhar, deveria fazer uma piada qualquer para quebrar a tensão, mas não consegui.

— O que foi? — Minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia.

— Você não precisa carregar tudo sozinho, Ajax.

Seu tom era suave, mas firme. Minha mandíbula travou. Quantas vezes eu já tinha ouvido isso? Quantas vezes alguém tentou me convencer de que eu não precisava ser forte o tempo todo?

Mas Ravena não era qualquer pessoa. Ela me via. Enxergava a escuridão dentro de mim e, ainda assim, continuava ali.

— Eu não carrego nada que já não seja meu.

Ela inclinou a cabeça, me analisando.

— E se eu quiser carregar um pouco disso com você?

Minhas entranhas se reviraram. O que ela estava dizendo? Por que me olhava desse jeito? Como se eu fosse alguém digno desse tipo de lealdade?

Eu ri, um riso amargo e descrente.

— Não faça promessas, Rainha. Você pode se arrepender.

Ravena não recuou. Pelo contrário, inclinou-se ligeiramente para frente, ficando a apenas alguns centímetros de distância. Eu sentia sua respiração, quente e instável, tão hesitante quanto a minha.

Por um momento, o bar ao nosso redor desapareceu. Era só eu e Ravena. O peso da bebida, da raiva e da dor me fazia sentir como se estivesse afundando, mas aqueles olhos azul-safira eram minha âncora.

Meus olhos desceram para sua boca. Ela mordeu o lábio inferior, e a visão me destruiu.

Puta merda.

Minha mão se moveu antes que eu pudesse controlar. Segurei seu rosto, meu polegar roçando sua bochecha, sentindo a pele quente sob meus dedos. Ela não se afastou. Não protestou. Apenas fechou os olhos por um segundo e, quando os abriu novamente, não havia hesitação.

Eu a beijei.

O choque do toque me atingiu como um trovão. Não foi um beijo suave ou hesitante. Foi urgência, foi necessidade, foi um incêndio tomando forma. Ravena correspondeu com igual intensidade, suas mãos agarrando minha camisa, puxando-me para mais perto.

Nossos corpos se encaixaram como se fossem feitos para isso. Como se aquilo já estivesse escrito. Como se, apesar de tudo, estivéssemos destinados a esse momento.

Mas então eu senti.

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