Logan
Depois do que aconteceu ontem, a última coisa que eu queria era ver Isabella magoada comigo novamente. Mas eu precisava dizer: o orgulho que essa mulher despertava em mim era indescritível. Ela era incrível. Perfeita. A maturidade com que lidou com minha mãe e a forma como conduziu nossa conversa me fizeram agradecer à Deusa um milhão de vezes por tê-la como minha companheira. Isabella estava crescendo, amadurecendo… e, o melhor de tudo, me permitindo fazer parte desse processo.
Despedi-me dela e fiquei observando o carro partir. Queria que ela tivesse me esperado para irmos juntos, mas, depois da história das coisas de Megan e da conversa com minha mãe, não quis pressioná-la. Decidi agilizar minhas tarefas o máximo possível, e Andrew me ajudou nesse processo. Em poucas horas, tudo estava resolvido. Assim que ele saiu do meu escritório, conectei-me com Isabella. Eu precisava ouvir sua voz, nem que fosse por alguns minutos.
— Está tudo bem? — Ela aceitou minha conexão já com uma pergunta.
— Não, estou com um problema seríssimo.
Senti seu desconforto. Seu coração acelerou levemente.
— O que houve, Logan? Foram os lycans? Você está ferido? Não senti nada. Você prometeu não se ocultar de mim e…
Comecei a rir. Não aguentei seu jeito.
— Logan! — Ela chamou minha atenção, irritada. — Fale de uma vez! — Bufou.
— O problema é que estou morrendo de saudades de você.
Minha voz saiu em um sussurro suplicante. E era verdade. Faziam apenas algumas horas, mas eu já não sabia viver longe dela nem por minutos, quem dirá por horas.
— Alfa Logan, nunca mais faça isso! — Sua voz era pura repreensão. — Eu quase deixei Ártemis emergir para ir até você.
— Devia ter deixado, amor. Assim eu mataria minha saudade.
Minha voz saiu melosa. Eu nem me reconhecia mais. Essa pestinha despertava lados meus que eu nem sabia que existiam.
Ficamos conversando por mais alguns minutos. Isabella disse que Hélio, o tio de Apolo, estava chegando. Que seus pais estavam estranhos, mas não revelaram nada, dizendo apenas que esperariam Hélio para esclarecer tudo. Ela comentou que Ravena e Ajax pareciam estar se rendendo ao vínculo, mas o que mais a preocupava era Gabriel. Sentia que ele estava distante, escondendo algo dela.
Encerramos nossa conexão, mas não antes daquela pestinha me provocar sobre algo que estava vestindo. Fiquei ali, me imaginando arrancar aquilo com minhas presas quando a visse.
Batidas na porta me tiraram dos pensamentos.
Senti o cheiro da minha mãe. Logo em seguida, ela entrou.
— Podemos conversar um minuto?
Assenti, e ela se sentou na cadeira à minha frente.
— Foi bom que veio, mãe. Realmente precisamos conversar.
Ela se ajeitou na cadeira. Meu poder se expandiu um pouco, sem que eu pudesse evitar. Ela era minha mãe, mas também uma ameaça para minha companheira. E Orion, o Alfa possessivo e protetor que era, não deixaria isso passar. Mesmo que ela sendo quem era.
— Talvez tenhamos o mesmo assunto. — Seu tom era firme.
Encostei-me na cadeira, cruzando os braços.
— Duvido disso. Mas diga… qual é o assunto?
Olhei bem em seus olhos. Às vezes, me perguntava por que não havia semelhança entre nós. Eu tinha traços do meu pai, embora fosse muito mais parecido com Ajax. Mas, da minha mãe, eu não tinha nada. Nem mesmo Orion sentia conexão com sua loba. Era algo que eu admirava em Isabella e Ártemis, com Dafne e Linus, mesmo que eles não fossem seus pais biológicos.
— Gostaria que me autorizasse a visitar o Alfa Lucas e sua Luna. Até pouco tempo, éramos família.
Um rosnado baixo escapou de mim.
— Nunca fomos família, e você sabe bem disso. Aquilo foi apenas uma negociação comercial criada pelo meu pai.
Seus olhos brilharam, a decepção estampada neles. Não era isso que ela gostaria de ouvir.
— Lucas sempre foi bom para mim, e Megan me tratava como uma mãe.
Bufei diante de suas palavras.
— Lucas é um homem honrado, e Megan agia por interesse. Ela pensava que, conquistando a senhora, conquistaria a mim.
Foi um erro ter essa conversa hoje. Os sentimentos de Isabella estavam entrelaçados aos meus, e a tristeza que minha mãe causou a Bella despertou a ira em mim e em Orion.
— Mãe, quero deixar uma coisa bem clara.
Levantei-me, apoiando as duas mãos sobre a mesa e inclinando levemente o corpo para frente. Orion se manifestou, e, pela expressão da minha mãe, ela não apenas o sentia, mas o via.
— Isabella é minha companheira. A futura Luna desta alcateia. Qualquer pessoa que desrespeitá-la será punida.
Endireitei minha postura.
— Independente de quem seja.
Concluí, deixando claro que Isabella era minha prioridade. Hoje e sempre.
Ela se levantou, e um novo brilho surgiu em seus olhos. Não era mais decepção, mas determinação.
— Vamos ver até onde isso vai. Espero que não se arrependa de trocar Megan por aquela menina.
O rugido que soltei reverberou por toda a casa. O horror que se estampou em seu rosto me trouxe até um certo prazer. Queria que ela soubesse que eu não estava brincando.
— Aquela menina tem nome. E para a senhora, é Luna Isabella.
Ela me olhava como se não estivesse me enxergando. Logo, senti a presença de alguém se aproximando. Era Andrew.
Autorizei sua entrada, e ele me informou que meu carro estava pronto. Agradeci e segui em direção à porta, mas antes de sair, virei-me para encarar minha mãe, ainda chocada.
— Se Megan é sua família, não me importo que vá visitá-la. Quem sabe até mesmo fique por lá.
Saí do escritório, sentindo a raiva borbulhar dentro de mim. Orion estava inquieto, como se houvesse algo mais, algo que me passou despercebido... mas para ele, estava claro.

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