Bar Paraíso.
Adriana Pires recostou-se no sofá, avaliando a pessoa à sua frente.
Continuava alta, com uma maquiagem pesada e exalando um perfume forte.
— Por que a Senhorita Pires está me olhando assim?
— Por que você me procurou? — ela perguntou, desviando o olhar.
Ana piscou os olhos. Seus cílios postiços, longos e espessos demais, moviam-se como grandes leques.
Adriana Pires até teve a impressão de ver um pouco da sombra brilhante caindo das pálpebras dela.
Ela ignorou o detalhe com indiferença.
— E por que você aceitou o convite? — Ana retrucou com um sorriso.
Adriana Pires levantou-se imediatamente, pronta para ir embora.
— Você não quer saber por que eu conheço o Henrique?
— Fale.
— Que tal me acompanhar em um drink antes?
Ela deu um sorriso irônico e continuou caminhando.
— E se eu te disser que eu o sustentava no passado? — Ana suspirou.
Adriana Pires teve que admitir que foi muito difícil não parar de andar.
Assim como foi difícil controlar a expressão sombria que tomou conta do seu rosto.
Felizmente, durou apenas uma fração de segundo.
Ela conseguiu se recompor com maestria.
— Claro que não nesse sentido. Eu não me atreveria, ele quebraria as minhas costelas e me jogaria aos tubarões. — Ana riu novamente ao ver que não tinha conseguido provocá-la.
— O que você quer dizer com tudo isso?
— Para ser sincera, nem eu sei. É que a minha curiosidade sobre você era grande demais. — Ana deu de ombros.
— Sabe, eu sempre gostei muito do Henrique, pena que ele vive me rejeitando.
— Eu achava que aquele cara nunca iria se prender a mulher nenhuma.
— Quem diria...
— Eu perdi. E por isso fiquei tão intrigada com você e quis te conhecer melhor.
Ana, porém, recusava-se a soltá-la.
Puxada de ambos os lados, Adriana Pires soltou um gemido abafado de dor. Com a paciência esgotada, explodiu: — Soltem-me, os dois!
Ezequiel Assis soltou-a em um reflexo.
— Está bem, está bem. — Ana piscou os olhos vagarosamente e também cedeu.
Finalmente livre, mas impregnada com aquele perfume denso, ela franziu a testa.
Chegou à conclusão de que devia estar fora de si quando decidiu comparecer àquele encontro.
— Saia da frente.
— Adriana... — Ezequiel Assis, que bloqueava a saída, hesitou ao perceber a irritação no rosto dela.
— Eu disse para sair da frente. — Ela respirou fundo.
Ezequiel Assis não teve alternativa senão dar espaço.
Ela abriu a porta e foi embora.
— Não haverá uma próxima vez. — Ezequiel Assis instintivamente fez menção de segui-la, mas parou no primeiro passo, virando-se para lançar um olhar gélido a Ana.
— Ela estava muito curiosa sobre o seu passado, a culpa não é minha. — Ana deu de ombros. Ao notar o olhar dele ficar ainda mais ameaçador, levantou as mãos em rendição. — Certo, certo, não haverá próxima vez. Mas também não venha roubar as minhas companhias.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...