Embora tivesse aceitado aquela explicação por hora, Alita Pires investigou o assunto em segredo. Ao confirmar que Helder Casimiro realmente havia vencido a luta, finalmente tranquilizou-se.
Ela tinha entendido tudo errado.
Então, que tal comprar um presente para ele?
Mesmo faltando um pouco de dinheiro no fim das contas, não houve problema, ela pediu emprestado a Susana.
Depois, chamou a amiga para ajudá-la na escolha.
Quando se encontraram, Susana ainda estava abalada.
— Você me matou de susto naquele dia. Se alguma coisa ruim tivesse acontecido, eu teria pesadelos pelo resto da vida!
Ela respondeu, meio sem graça:
— Eu não fiz de propósito, só estava com muita raiva.
— Eu te entendo. Quem não ficaria com raiva numa situação daquelas? No entanto...
Susana hesitou por um momento, mas resolveu aconselhá-la:
— Não leve isso tão a sério. Contanto que ele te trate bem, o resto... deixe para lá.
Aquela frase tinha sido até sutil.
Mas Alita Pires não entendeu as entrelinhas e a olhou com uma expressão confusa.
Susana foi direto ao ponto:
— Não seja tão controladora com o seu marido. Feche os olhos para certas coisas. Desde que ele ainda tenha carinho por você, dê a ele um pouco mais de liberdade. Afinal, neste meio, ninguém sabe por quanto tempo ele ainda vai vencer as lutas. Ele arrisca a vida para ganhar dinheiro, é natural que busque algum outro tipo de válvula de escape.
Alita Pires finalmente entendeu.
— Você está dizendo que eu deveria aceitar ser traída?
— Não se trata de traição... cof cof... é para o seu próprio bem. Se ele só procurar você, você não vai dar conta. O seu marido parece ter muita energia.
A última frase soou bastante maliciosa.
Qualquer um com olhos notaria que Helder Casimiro era claramente do tipo que esbanjava vigor físico.
Ele era lindo, extremamente forte e invicto. No ringue, o seu estilo de luta era elegante e implacável, ele nunca parecia vulnerável. Por isso, a sua popularidade era imensa e a sua legião de fãs não parava de crescer.
Inegavelmente, era um dos lutadores mais cobiçados da arena no momento.
Era difícil monopolizar um homem desses.
Apertar demais só o faria escapar entre os dedos.
Por essa razão, Susana tentou aconselhar Alita Pires.
No começo, ambos tinham esquecido o passado e não eram íntimos, então ela recusava os avanços.
Mais tarde, ele a pediu em casamento e ela aceitou. Eram marido e mulher! E, sendo casados, era natural que certas coisas acontecessem.
Ela até aguardava por aquilo secretamente e se preparava.
Mas Helder Casimiro permanecia imóvel, apenas a abraçava para dormir todas as noites.
Por mais corajosa que fosse, não queria tomar a iniciativa em algo assim.
Ficaram nesse impasse, e a relação não progredia.
— E qual seria o motivo? Com você sendo tão linda, não faz sentido...
Susana tinha uma inveja imensa do rosto lindo e do corpo perfeito de Alita Pires. Só que a amiga sempre preferia ser discreta, escondendo-se atrás de máscaras e bonés.
Qual homem conseguiria resistir a uma mulher tão tentadora?
Porém, absurdamente, duas pessoas tão cheias de desejo mantinham um relacionamento tão casto.
— Susana, o que você acha que eu deveria fazer?
Vendo a inocência da amiga, Susana cobriu o rosto e abriu um sorriso malicioso.
— Você perguntou para a pessoa certa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...