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Flores Que Florescem Na Lama romance Capítulo 825

O casal insistiu tão fervorosamente que ela não teve alternativa a não ser ficar para jantar.

Sentindo-se acolhida, fartou-se de comer.

Casualmente, tinha negócios que a manteriam na cidade pelos próximos dois dias, então optou por não retornar à área de mineração. Antes de ir, deixou claro ao pequeno Gildo que se os marginais ousassem aparecer novamente, ele deveria avisá-la pelo relógio no mesmo instante.

— Pode deixar! Irmã Alita, muito obrigado!

Ela esticou a mão e apertou as bochechas gorduchas do menino, satisfeita. Subiu em sua chamativa moto e foi embora.

Gildo observou-a afastar-se, com os olhos brilhando de admiração.

— Como eu queria ter uma irmãzona assim.

Seus pais, contudo, trocaram um olhar inquieto, reconhecendo a preocupação que dividiam.

— A família dos novos amigos de Gildo não parece ser de pessoas comuns.

— É a primeira vez que ele faz amigos, vamos apenas deixar para lá.

— É verdade.

Logo, a alegria retornou ao seio familiar, apagando qualquer vestígio do pavor que viveram à tarde durante a invasão.

Com um otimismo tão genuíno, não era surpresa que Heitor e Anan gostassem tanto de ter Gildo como amigo.

Para facilitar as operações, Adriana Pires havia comprado uma casa na cidade, mas Alita Pires preferiu se hospedar no hotel mais próximo e reservou um quarto.

Dirigiu-se ao seu alojamento enquanto maquinava soluções para as pequenas pendências recentes na área de mineração.

De repente, como se tivesse sentido algo, virou-se e encarou o corredor vazio.

Fez meia-volta e prosseguiu sua caminhada, dobrando a esquina do corredor.

Um vulto surgiu inesperadamente e a seguiu. Mas, ao virar a curva, o perseguidor encontrou a lâmina de uma faca encostada em seu próprio pescoço.

— Quem mandou você me seguir?

O rapaz responsável pela entrega quase perdeu a força nas pernas de tanto susto. Agarrando-se ao buquê de flores, balbuciou:

— A-a-as suas flores...

Alita Pires piscou, confusa. Examinou as rosas vermelhas vibrantes e então olhou para o entregador, cujas lágrimas de medo já escorriam pelo rosto. Só lhe faltava levantar as mãos em rendição.

Ela recolheu a faca.

— Quem mandou?

— Eu não sei de nada. Só me pagaram para fazer a entrega, e a única condição era que a senhora não percebesse.

— Deixe aí e suma.

O garoto pousou o arranjo apressadamente e sumiu dali num piscar de olhos.

Helder Casimiro soltou um longo suspiro e bebeu sua taça de champanhe de um único gole.

Não se atreveria jamais a tentar confiná-la novamente. A única alternativa era cortejá-la até reconquistar sua alegria.

Enviar mimos era a estratégia mais óbvia.

Todos os artigos de luxo que ele oferecera foram impiedosamente vendidos sem sequer um vislumbre da parte dela, e o dinheiro doado para a caridade. As flores, no entanto, eram a única coisa que não eram rejeitadas.

Diante dessa constatação, passou a focar sua atenção apenas em lhe enviar buquês.

Todos os dias caminhões e mais caminhões carregados de pétalas cheirosas adentravam o acampamento de mineração.

Mesmo assim, a fúria dela não dava indícios de aplacar.

Helder Casimiro fechou os olhos com força, resmungando consigo mesmo:

— Adriana Pires, você errou. Ela não é alguém que resiste à força, mas cede à gentileza. A verdade é que ela é imune a tudo.

O arrependimento começava a tomar conta dele.

Talvez jamais devesse ter mentido para ela desde o início.

Com os olhos cerrados, procurou suprimir a angústia antes de voltar sua atenção para a turbulência em seu país natal.

Ele contatou Ezequiel Assis, utilizando uma linha secreta que apenas ambos conheciam, assegurando a absoluta impossibilidade de qualquer tipo de escuta.

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