Adler franziu o cenho, indignado.
— Você perdeu o juízo?
Rosana, contudo, parecia cada vez mais convicta.
— Se não houvesse outra mulher, como você poderia ser tão insensível? Adler, quem realmente foi infiel aqui foi você, não foi?
Como mera espectadora, Adriana Pires chegou à conclusão de que aquela rainha do cinema devia ter algum distúrbio mental severo.
Como esperado, o rosto de Adler escureceu ainda mais.
— Você vai continuar com esse escândalo ridículo?
— O que ela tem de melhor que eu? É só um pouco mais bonita? Um pouco mais nova? O que ela tem de tão especial?
Adriana Pires, que inicialmente havia se sentido ofendida, de repente percebeu que não conseguia mais ficar com raiva.
Halina também ficou sem palavras. Ela nunca havia lidado diretamente com Rosana, mas, a julgar pela situação... Como alguém podia ser tão obtusa?
Adler, perdendo qualquer rastro de cortesia, soou em tom de alerta.
— Rosana, se você continuar armando um barraco, eu vou confiscar a casa em Huaishan.
O rosto de Rosana perdeu toda a cor no mesmo instante.
— Não, você não pode! Você não pode fazer isso!
— Vá embora.
Finalmente, Rosana soltou-o, com os olhos marejados.
— Adler...
— Vá embora.
Ela fungou e foi embora, a contragosto e com o coração repleto de amargura.
Adler massageou as têmporas e se aproximou da mesa delas.
— Peço desculpas por incomodá-las.
Adriana Pires respondeu de forma polida.
— Sem problemas, nós compreendemos.
Halina apressou-se em acrescentar.
— Pode ficar tranquilo, não vimos absolutamente nada.
Adler abriu um sorriso de gratidão.
— Obrigado.
Ele não se demorou e retornou à sua sala privativa.
Halina, depois de degustar o barraco até a última gota, sentia-se plenamente satisfeita e, finalmente, concordou em ir embora.
Ao pedirem a conta, foram informadas de que tudo já havia sido pago. Além disso, haviam creditado dez mil na conta do cartão fidelidade de Halina para consumo futuro.
Não era preciso pensar muito para saber que aquilo era obra de Adler.
Halina estalou a língua em admiração.
— Dá para ver que ele é do meio político. Sabe muito bem como tratar as pessoas, sem deixar brechas. A Rosana deve estar chorando lágrimas de sangue por ter desperdiçado um homem desses.
— Não, mamãe, não queremos sair, estamos ótimos aqui em casa!
Ela estendeu a mão e deu um leve toque no nariz de cada um.
— Mentira. Não mintam para a mamãe.
Heitor baixou os olhos, sentindo-se culpado, e olhou para a irmã.
Desmascarada, Anan confessou com naturalidade.
— Mamãe, nós queríamos ir às compras.
— Comprar o quê?
— O aniversário do bisavô está chegando, nós queremos dar um presente para ele.
Ela paralisou, percebendo com atraso que depois de amanhã seria o aniversário de oitenta anos do avô.
Com toda a correria, ela havia se esquecido completamente.
E o avô também não havia mencionado o assunto.
No passado, os preparativos para uma grande comemoração já teriam começado um mês antes.
Afinal, a grandiosidade da Família Assis atraía multidões ansiosas por prestígio.
Mas agora...
Ela puxou o ar profundamente e disse.
— Tudo bem, a mamãe vai levar vocês para comprar os presentes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...