— O que aconteceu?
O motorista estava coberto de suor frio.
— Senhorita, um carro de repente bloqueou o caminho.
Ela franziu a testa, olhou para frente e viu um Cayenne preto atravessado na pista. Discreto e contido, mas, ao mesmo tempo, extremamente intimidador. Alguém desceu do veículo. Muito familiar. Adler.
Ele se aproximou com passos largos e bateu no vidro.
Adriana Pires abaixou a janela.
— O que significa isso, Senhor Campos?
— Nada demais. Só queria convidar a Senhorita Pires para uma bebida. A noite está ótima.
Ela olhou para o carro atravessado, depois voltou o olhar para ele e ergueu uma sobrancelha.
— Essa é a sua maneira de convidar, Senhor Campos?
— Peço desculpas. Fui um pouco impulsivo, mas não me arrependo. Afinal, em certas coisas é preciso ter mais iniciativa.
Pelo visto, a cena daquela noite o havia provocado. Mas Adriana Pires acreditava mais em outra possibilidade: derrubar a Família Assis havia deixado a Família Campos inebriada de orgulho, a ponto de revelar suas verdadeiras facetas.
Observando o olhar de Adler, que escondia uma postura dominante bem diferente de sua humildade habitual, ela sorriu.
— Estou cansada esta noite, Senhor Campos. Que tal deixarmos para outra hora?
Ele, contudo, não recuou.
— Senhorita Pires, por favor.
— Isso é uma imposição?
— Não, é apenas iniciativa. Sinto muito. Eu vi você e Nelson esta noite e, com todo o respeito, ele não está à sua altura.
— E quem estaria?
— Acredito que, talvez, você pudesse me considerar.
Não, você também não serve. Apenas uma pessoa serviria. Aquele desgraçado que estava se escondendo. Ela estava exausta e já sentia aversão àquele comportamento impositivo. Justo quando estava prestes a abrir a boca para dispensá-lo, uma ideia lhe ocorreu, e as palavras que surgiram foram outras:
— Para onde vamos?

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...