Wesley recusou sem pensar duas vezes:
— Não! É muito perigoso! É um bando de leões!
— Oito leões.
— Não! Não faça loucuras!
Wesley segurou o braço dela com força, com medo de que, se desviasse o olhar por um segundo, ela fizesse algo impensável.
Ele estava verdadeiramente arrependido.
Nunca deveria ter vindo a esse zoológico!
Assim, nada disso teria acontecido!
— Me solta.
— Alita!
— Não estou brincando. Eu sinto o cheiro deles.
— Deles?
— Lobos, hienas, leopardos, ursos... Estão todos nos observando. Somos a presa deles.
A respiração de Wesley acelerou.
— Você tinha razão. Este zoológico está falido, então deixaram os animais passarem fome por muito tempo. Se não me engano, foi de propósito.
Wesley logo percebeu a gravidade da situação:
— Como assim de propósito? Se pessoas morrerem, eles não vão conseguir continuar funcionando...
Ele parou de falar abruptamente.
Tudo fez sentido.
Wesley compreendeu o ponto crucial em um instante.
Ele olhou para as pessoas no trenzinho, vindas de vários países.
Quem podia pagar por uma viagem daquelas não tinha problemas financeiros.
Por isso, o seguro de cem dólares oferecido na entrada não era nada para eles. Quase todos haviam comprado.
Ele e Alita também haviam comprado.
Se algo acontecesse lá dentro, a seguradora pagaria uma fortuna.
O zoológico também seria uma vítima e poderia exigir uma indenização.
E não seria pouco dinheiro.
Quanto mais pensava, mais seu coração gelava.
O grande Doutor Camargo, que sofria e se preocupava com o tumor em seu cérebro, jamais imaginara que poderia não morrer na mesa de cirurgia, mas sim nas mandíbulas de feras em um lugar isolado.
— Adriana me disse para sempre esperar o pior das pessoas. Elas são monstros disfarçados de humanos.
Alita havia amadurecido muito. Já não era a garota ingênua e inexperiente de antes.
— Se não formos agora, será tarde demais. Nós vamos descer para consertar o trem e sairemos daqui o mais rápido possível.
Se alguém estava disposto a arriscar a vida por eles, é claro que concordariam.
Todos abriram caminho.
Mas Alita não se moveu. Ela fixou o olhar em um dos homens.
— Ei, você, venha cá.
O homem chamado ficou confuso.
— Eu?
— Sim, você. Desça com a gente.
— Não, não, não! Eu não vou! Nem morto! Tenho que proteger minha esposa e meus filhos!
O homem estava ali com a família de quatro pessoas para comemorar o aniversário do filho mais novo. Jamais imaginou que a viagem seria tão aterrorizante.
— Se quer proteger sua esposa e seus filhos, desça comigo. Caso contrário, se continuarmos aqui, todos vão morrer.
O homem respondeu sem pensar:
— Mas não é você que vai descer?
Alita deu um sorriso frio.
— Sim, eu vou descer. Mas por que eu deveria arriscar minha vida por vocês? Vocês merecem? E se eu descer e vocês não abrirem a porta para mim, eu devo morrer?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...