Adriana desceu imediatamente, atravessou o fluxo de veículos, esquivando-se perigosamente várias vezes, e correu naquela direção sem hesitar.
Mas quando estava prestes a se aproximar, abriu a boca e gritou:
— Ezequiel Assis...
Dois operários carregando uma enorme tábua de madeira bloquearam seu caminho.
Ela os contornou ansiosamente, mas, ao olhar novamente, o homem que estava ali havia desaparecido.
Ficou parada, atônita, olhando para o espaço vazio.
No chão, ainda havia um cigarro aceso.
Como se fosse a prova de que ela não havia tido uma alucinação.
Como descrever seus sentimentos naquele momento?
Seus olhos arderam e o nariz formigou, mas a teimosia que havia cultivado impediu que sua expressão desmoronasse; apenas os cantos de seus olhos ficaram vermelhos.
Após um longo momento, ela se virou e foi embora.
O motorista já havia encostado o carro na calçada e a esperava.
Quando ela entrou, o motorista perguntou cautelosamente:
— Senhorita, para onde deseja ir?
Ela abaixou a cabeça e respondeu com um tom exausto:
— De volta para casa.
O carro luxuoso afastou-se lentamente.
Enquanto isso, atrás de um beco, o homem estava nas sombras, observando as costas dela se distanciarem.
— Ezequiel, você conhece aquela garota? Parecia que ela estava vindo na sua direção.
Ezequiel não respondeu.
Em vez disso, o grupo de marginais começou a tagarelar:
— Que mulher linda, parece uma estrela de cinema! A pele dela é tão branca que até brilha!
— Vocês não viram o carro em que ela estava? Um Bentley! É caríssimo! Eu só vi isso em revistas!
— Caramba, uma ricaça linda dessas. Se a gente pegasse uma, não precisaria trabalhar por trinta anos! Seria bom demais! Se fosse eu, com certeza a faria implorar na cama!
As palavras carregavam uma sujeira repulsiva.
Antes que pudessem rir, o homem que acabara de falar foi derrubado com um soco violento.
Eles se calaram instantaneamente.
Ezequiel sacudiu a mão, que estava suja com um pouco de sangue, evidenciando que não havia contido a força.
O marginal que havia falado estava com a boca cheia de sangue e havia perdido dois dentes.
— E-Ezequiel...
— Lave essa boca suja.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...