— Você é da Família Assis...
— Beba um pouco de chá.
Betina finalmente relaxou um pouco, sentou-se e deu um longo gole no chá.
Ezequiel esperou que ela se acalmasse antes de dizer:
— Agora, você pode me contar o que aconteceu naquela época.
Ela ficou em silêncio por um momento.
— Quanto menos você souber, melhor.
— Você está conformada com isso?
— E o que eu posso fazer se não estiver? Ele... já não é alguém que eu possa enfrentar.
Betina deu um sorriso autodepreciativo; as rugas em seu rosto pareceram se aprofundar, marcadas pela amargura.
Toda a sua família havia morrido, seu lar fora destruído. Como ela poderia não odiar?
Odiava, odiava todos os dias, mas o que podia fazer?
— Se confiar em mim, terá a chance de se vingar. Se não, pode ir embora agora mesmo.
Dizendo isso, Ezequiel abriu a porta, deixando sua intenção clara.
Betina levantou-se e, de cabeça baixa, caminhou em direção à saída.
Ele não a impediu e ainda ordenou aos bandidos que a deixassem passar.
Os capangas ficaram confusos.
O que o Ezequiel estava fazendo?
Tiveram tanto trabalho para encontrá-la, procuraram por tanto tempo, e agora que finalmente a acharam, ele simplesmente a deixava ir?
Helton Duarte aproximou-se.
— Não está preocupado?
Ezequiel não demonstrava pressa. Continuou preparando o chá metodicamente e serviu uma xícara para Helton.
— Ela vai voltar.
O tom de Ezequiel era de absoluta certeza.
— Essa Betina é muito inteligente e sabe se esconder. Conseguir fugir do Zander Campos por vinte anos não é para qualquer um. Se ela decidir sumir de novo, não garanto que conseguiremos encontrá-la uma segunda vez.
— Por que você acha que ela ficou aqui por vinte anos, vivendo dessa forma?
Helton hesitou por um instante, mas logo entendeu.
Se uma pessoa não fosse movida pelo ódio, por que viveria miseravelmente debaixo do nariz de seu inimigo?
Vinte anos. Era assustador imaginar o quanto aquele ódio havia se acumulado.
Como previsto, antes mesmo que a segunda rodada de chá fosse servida, Betina voltou.
Ela estava ofegante. Os cabelos completamente brancos, que não condiziam com sua idade, eram a prova viva de como haviam sido seus últimos anos.
— Você não está mentindo para mim, está? Você realmente pode me ajudar a me vingar?
— Podemos tentar.
— Obrigada.
— Parece que você levou isso a sério.
— E eu não deveria?
Adler sorriu, satisfeito.
— Não fique nervosa. Meu pai não é uma pessoa difícil de lidar.
Era verdade. A imagem pública de Zander Campos sempre fora essa.
Desde que não envolvesse seus interesses, ele era bastante amigável.
O carro seguiu direto para a residência da Família Campos.
A família não morava em uma área nobre da cidade, mas sim em um condomínio de casas antigas, em um casarão de três andares.
Poucas pessoas viviam ali. Além de pai e filho, havia apenas duas empregadas e um motorista.
Quando o carro parou, Adler fez questão de abrir a porta para ela.
— Por favor.
— Obrigada.
Eles entraram na casa, um atrás do outro.
E Adriana finalmente ficou frente a frente com a peça central de todo o seu plano: Zander Campos.
A superfície calma de seu coração foi subitamente agitada por uma onda de inquietação.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...