Zander ordenou que o chef preparasse um banquete.
A Família Campos seguia a regra de não conversar durante as refeições, então comeram em silêncio. Zander observou Adriana e notou que sua etiqueta à mesa era impecável, sem o menor deslize.
Sua satisfação só aumentava.
Aquela era a nora ideal que ele sempre imaginara, muito mais apresentável do que Rosana Tavares jamais fora.
Após a refeição, Zander tinha o hábito de meditar, retirando-se para o pequeno oratório por um tempo.
Adler aproveitou para levar Adriana para um passeio pelo jardim dos fundos.
— Ficou nervosa?
— Não, o Senhor Campos é muito fácil de lidar.
— Isso é porque você atendeu às expectativas dele.
Adler conhecia bem o pai, por isso tinha certeza de que ele gostaria de Adriana. Com a ajuda dos exames médicos, não havia como dar errado.
— Agora você pode ficar tranquila, não é?
Adriana sorriu, sem confirmar nem negar.
Ele interpretou aquilo como timidez e não insistiu, acreditando que as coisas aconteceriam naturalmente.
Deram uma volta pelo jardim, e Adriana perguntou de repente:
— Você cresceu aqui?
— Claro.
— Eu gostaria de ver como você era quando criança.
Adler jamais recusaria um pedido desses, ainda mais feliz por ela demonstrar interesse em conhecê-lo melhor.
Ele a levou para conhecer seu quarto.
E também o escritório.
As fotos expostas ali eram registros de seu crescimento.
Adler explicava a história por trás de cada foto em detalhes, como se contasse um conto.
Adriana ouvia com atenção, mas usava a visão periférica para mapear o ambiente.
Ao mesmo tempo, ficava atenta ao relógio.
O horário combinado estava se aproximando, então ela pediu:
— Eu preciso ir ao banheiro.
— Claro.
Ela se virou e saiu.
O celular de Adler tocou naquele exato momento, e ele foi até a varanda para atender.
Pelo canto do olho, viu Adriana entrar no banheiro.
Mas, assim que ele virou o rosto, a porta se abriu e fechou rapidamente.
Os passos estavam cada vez mais próximos. O coração de Adriana batia tão forte que parecia querer saltar pela boca.
99%...
A porta se abriu com um clique.
Zander olhou para o escritório vazio e sentiu um alívio.
Chegou a pensar que estava sendo paranoico demais.
Aquela casa raramente recebia visitas, e o sistema de segurança externo era rigoroso. Ninguém entrava sem ser convidado.
A única convidada do dia era Adriana.
Zander estreitou os olhos e notou que uma folha de papel sobre a mesa parecia ter sido movida.
Seu coração afundou. Estava prestes a ordenar que fechassem todo o perímetro para capturar o invasor!
— Miau!
Um gato malhado estava no parapeito da janela, espreguiçando-se lentamente. Com agilidade, pulou para a mesa e caminhou até ele, miando de forma carinhosa.
A expressão de Zander suavizou, e ele acariciou a cabeça do animal.
— Tiago, como você entrou aqui? Está com fome? Vou pedir para te darem algo para comer.
Ele pegou o gato no colo e saiu, esquecendo-se da suspeita anterior.
E, claro, não percebeu que o computador estava levemente aquecido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...