Adriana queria ganhar tempo, mas Adler não era o tipo de homem fácil de enrolar.
Embora ele tivesse lhe dado tempo para pensar, suas atitudes eram bastante impositivas. Ele a tratava quase como uma namorada e, até mesmo nas conversas, demonstrava um desejo de controle involuntário.
Adriana já estava ficando farta de lidar com aquilo, mas não podia deixar transparecer nenhuma falha.
Ela só podia aceitar os convites dele com um sorriso.
Até que, de repente, ele sugeriu conhecer o seu 'filho'.
O coração dela deu um salto.
Ela havia lhe contado que tinha uma criança, mas quase nunca tocava no assunto. Por que ele queria vê-la de repente?
— Já que ficaremos juntos no futuro, acabaremos nos conhecendo. Eu também queria ver se levo jeito para ser padrasto.
Não havia nada de errado naquilo. Ficava claro que Adler estava falando sério e realmente se importava.
Ela se forçou a responder:
— Eu o mandei para um acampamento de verão.
— Onde fica? Por acaso tenho uns dias de folga, poderíamos ir até lá para passear um pouco.
Era óbvio que ele não desistiria até conhecê-lo.
Ela não teve escolha a não ser concordar:
— Não precisa. Ele deve voltar amanhã. Se quiser vê-lo, podemos jantar amanhã, mas você não pode assustá-lo.
Adler ergueu uma sobrancelha:
— Eu pareço tão assustador assim?
— Um pouco.
— Então por que você não tem medo de mim?
— Eu tenho.
Adler riu, achando graça:
— Como é que eu nunca percebi isso?
— É porque você não enxerga bem.
— Adriana, você está me provocando?
— Não. Estou com fome, vamos comer primeiro.
Adler gostava de passar o tempo com Adriana. Era leve e agradável, e aquela mulher sempre conseguia mexer com suas emoções com facilidade.
Ele até chegava a pensar em casamento.
Anan e Heitor não podiam aparecer. Sem contar o fato de que se pareciam com Ezequiel, muitas pessoas os tinham visto no passado, então não podia arriscar.
Ela precisava encontrar uma criança para substituí-los. Mas quem? Como encontraria alguém em tão pouco tempo? Ela suspirou profundamente.
— Então você é a Adriana.
Uma voz soou atrás dela.
Ela ergueu os olhos para o espelho e viu uma figura familiar parada atrás de si.
A mulher usava uma máscara que cobria o rosto, mas os olhos visíveis transbordavam raiva e ciúme. Era Rosana.
Ela não esperava encontrá-la ali, mas também não ficou surpresa.
— Olá.
— Foi por sua causa que ele se divorciou de mim?
Adriana fez uma pausa e respondeu:
— Senhorita Tavares, eu sei que está irritada, mas acalme-se. Quando vocês se divorciaram, eu ainda estava trabalhando nas minas.
Rosana engasgou com a resposta, sem conseguir sequer liberar a raiva acumulada.
— Mas agora ele não me quer mais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...