— Vá, se não me acompanhar desta vez, tenho medo de que você vire ensopado de cachorro.
— Au!
Como se tivesse entendido, Bolinha latiu para Felipe antes de sair correndo, todo animado.
Clara ficou parada no elevador, com o rosto ainda queimando de vergonha.
Felipe era o único morador daquele andar. Embora o elevador não desse acesso direto ao interior do apartamento, ficava bem perto da porta.
As palavras de provocação do homem foram ouvidas por Clara de dentro do elevador, fazendo-a querer morrer de tanta humilhação.
Felizmente, Bolinha entrou no último segundo antes de as portas se fecharem, e o elevador desceu tranquilamente.
Ao chegar em casa, Clara se jogou no sofá, bagunçando os próprios cabelos enquanto tentava, mais uma vez, lembrar do que havia acontecido naquela noite.
Ela se esforçou para resgatar qualquer fragmento de memória, mas...
Continuava com um apagão total.
Puxou uma almofada e afundou o rosto nela com força.
Meu Deus, será que ela não tinha feito nada ainda pior?
Clara pegou o celular e abriu a conversa com Felipe. Queria perguntar se algo mais havia acontecido naquela noite.
Mas faltou coragem.
Apagou tudo!
Esquece, isso só a faria passar ainda mais vergonha.
Ahhh, mas será que ela tinha passado dos limites?
Ela abriu a conversa de novo. Meu Deus, como se pergunta um negócio desses?

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