Clara achou graça, já imaginando do que se tratava.
— Que acordo de conciliação? Isso não faz o menor sentido. Ainda nem tomei café da manhã. Vou desligar.
— Clara! Não me importa o quanto você queira fazer birra, levar assuntos de família para a delegacia já é passar dos limites! Por pior que minha mãe tenha agido, ela ainda é sua sogra. Tenha um pouco de juízo e venha para cá agora mesmo.
A voz de Samuel ficava cada vez mais sombria, carregada de uma raiva incontrolável.
Clara afastou o celular do ouvido e respondeu com desdém:
— E se eu não for?
Samuel estava parado do lado de fora do prédio da delegacia. O vento balançava as pontas de seu cabelo, trazendo o frescor do início do inverno, e seu rosto perfeitamente esculpido exibia uma expressão gélida e impaciente.
— Clara, você realmente quer se vingar de mim dessa forma? Se insistir nisso, não terei escolha a não ser cortar o pagamento das despesas médicas da sua avó na Cidade R.
O tom de voz dele era glacial.
A avó de Clara, que vivia na Cidade R, sofria de uma doença renal. Embora ainda não precisasse de um transplante, necessitava de hemodiálise a cada quinze dias.
Como a idosa se recusava a se mudar, Clara usava os melhores tratamentos disponíveis para ela na Cidade R, e os custos eram altíssimos.
Clara não podia acreditar que Samuel estava usando isso para ameaçá-la.
Ele não tinha sequer um pingo de humanidade.
Sua voz tremeu de ódio:
— Samuel, você ainda se considera humano? Minha avó também viu você crescer! Se ela não tivesse usado o dinheiro da pensão do meu pai na época, você, sua mãe e sua irmã teriam ido morar debaixo da ponte! E é assim que você retribui?
— Clara, eu não queria fazer isso, foi você quem me obrigou! Venha para cá agora mesmo!
Clara não disse mais nada, desligando o telefone com violência.
Mas Samuel sabia que ela iria.
Mesmo assim, enquanto apertava o celular, as veias de sua mão saltaram. Seus olhos transbordavam uma irritação sombria.
A sensação de pânico por não ter controle, de ver as coisas fugindo do roteiro, empurrando-a cada vez para mais longe, o deixava extremamente nervoso.
Além disso, ele sentia que Clara estava realmente diferente. Ela parecia não se importar mais com os sentimentos ou o estado emocional dele.
Era como se algo estivesse prestes a voar para longe de suas mãos, e ele não sabia como segurar, nem o que era exatamente.
Essa incerteza era como estar à beira de um abismo, prestes a pisar em falso e despencar a qualquer momento.
Uma hora depois, Clara apareceu na porta da delegacia.
Assim que saiu do carro, seus olhos encontraram a figura de Samuel debaixo de uma árvore, em frente ao prédio.
O homem segurava um cigarro entre os dedos. Sua postura era ereta, a aura imponente, e seu rosto bonito parecia ainda mais melancólico e inatingível em meio à fumaça.
Mesmo com o vaivém e o barulho das pessoas ao redor, ele parecia uma pintura intocável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Grávida Após o Divórcio: Meu Ex-Marido Infiel Enlouqueceu de Ciúmes