— Exames de quê? — Samuel franziu a testa, confuso.
— De qualidade do esperma, ué. E também aproveitar para ver se tem alguma alteração nos testículos, no epidídimo, checar os níveis de testosterona e se você não tem alguma doença hereditária.
Hah! Só Deus sabia se ele já não tinha pego alguma doença venérea por aí.
Vai que a traição também era genética. Um homem desses merecia mesmo ter filhos?
Ignorando a expressão sombria que tomou conta do rosto de Samuel, Clara o empurrou e saiu do quarto.
Samuel observou as costas frias da mulher se afastando e ergueu a mão para massagear as têmporas.
Por que ele estava com a sensação de que ela o estava ofendendo nas entrelinhas? Ou era apenas impressão sua?
Só porque ele a havia deixado no meio da rua naquele dia, ela ia continuar fazendo esse showzinho com ele? Esse temperamento estava passando dos limites.
Quando ele finalmente voltou para o quarto principal, Clara já estava deitada. Samuel se deitou ao lado dela e a abraçou por trás.
— Amor? Eu não tenho problema nenhum. Nem pense em marcar exame nenhum para mim...
Clara manteve os olhos fechados, fingindo estar dormindo, mas soltou uma risada fria internamente.
Como os homens podiam ser tão egoístas. A esposa arriscava a própria vida para dar à luz um filho deles, e eles se sentiam ofendidos por ter que fazer um simples exame.
Vendo que ela não esboçava nenhuma reação, Samuel achou que ela já tivesse adormecido. Ele suspirou, virou o corpo dela para que ficasse de frente para ele, ajeitou-a em seus braços e fechou os olhos.
Muito tempo depois, Clara abriu os olhos na penumbra, desvencilhou-se silenciosamente do abraço dele e virou-se para o outro lado.
Dividiam a mesma cama, mas viviam realidades completamente distintas.
No dia seguinte, na Costa Santos Tecnologia.
Sara entrou no escritório do presidente carregando uma pilha de contratos aguardando assinatura.
— Sr. Samuel, estes são os documentos que precisam ser assinados. O Gabriel pediu para eu trazer.
A voz de Sara era doce e manhosa, mas Samuel nem sequer levantou a cabeça.
— Deixe aí e saia.
Sara pousou a pilha de papéis sobre a mesa, mas não tinha a menor intenção de sair.
Samuel estava focado no relatório financeiro à sua frente, quando uma nuvem de perfume adocicado invadiu suas narinas. Era Sara, que havia contornado a mesa e agora empurrava os documentos na direção dele.
— Sr. Samuel, o Gabriel avisou que tem contratos urgentes aqui no meio, que precisam da sua assinatura para ontem. Assina logo, vai.
As mãos dela envolveram o braço de Samuel com intimidade, num tom dengoso.
A mão de Samuel que virava as páginas do relatório parou. Ele finalmente virou a cabeça para olhar para ela. Sua expressão era gélida, e seus olhos, vazios de qualquer emoção.
— Saia! Não me faça repetir pela terceira vez.

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