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[Consegui. Como te entrego?]
Clara estava no pet shop buscando Bolinha quando recebeu a mensagem de Sara pelo WhatsApp. Ao abrir e ver a foto do acordo de divórcio com a assinatura de Samuel, ela parou de respirar por um segundo.
Ela ampliou a imagem exatamente no local da assinatura e ficou encarando por um longo tempo.
Samuel era, por natureza, um homem extremamente cauteloso, mas Sara havia conseguido a assinatura dele em tempo recorde.
Isso só provava o quanto Samuel confiava nela e a mimava.
Como é que se dizia mesmo?
O tesão cega a razão, afinal?
Ela não conseguia deixar de imaginar qual seria a reação e a expressão de Samuel no dia em que descobrisse que havia sido feito de idiota.
Admitia que estava até um pouco ansiosa por isso.
— Bolinha, vai lá dar um abraço na sua dona!
A voz da atendente do pet shop a trouxe de volta à realidade. Quando Clara ergueu a cabeça, foi quase derrubada por uma bola de pelos dourada e eufórica que pulou em seu peito.
Bolinha era um Golden Retriever imenso, dócil, inteligente e extremamente bonzinho.
Clara o havia encontrado na rua, um filhote abandonado, logo no ano em que seus pais adotivos faleceram. Ela o havia criado sozinha desde então.
Sua sogra, Joana, dizia ter alergia a pelos de cachorro e sempre foi contra Clara ter um animal em casa. Mas Clara nunca havia cedido à pressão de se desfazer de Bolinha, e a batalha durou anos.
Porém, desde que os planos de gravidez começaram, Joana usou isso como arma, dizendo que ter um cachorro dentro de casa faria mal à gestante e ao feto. Dessa vez, Samuel não ficou do lado de Clara.
Sem saída, Clara cedeu. O compromisso foi deixar Bolinha hospedado no pet shop, indo visitá-lo apenas de vez em quando.
Agora, abraçada ao cachorro, o nariz de Clara ardeu. Ela afundou o rosto na pelagem grossa do animal e respirou fundo, esfregando a cabeça enorme de Bolinha.
— Me desculpa, Bolinha. Eu prometo que nunca mais vou te abandonar, tá bom? Você me perdoa?
Como se entendesse exatamente o que Clara dizia, Bolinha latiu feliz, com a língua de fora, e começou a empurrar o focinho sem parar contra as mãos dela, como se tentasse consolá-la.
Clara abriu um sorriso. — Obrigada por ser um garoto tão compreensivo, Bolinha! Vamos para casa!
Assim que colocou Bolinha no carro, Clara não perdeu tempo e respondeu a Sara.
[Estacionamento da Costa Santos Tecnologia. Desce com o documento, já estou chegando.]
Ela deu a partida e seguiu direto para a empresa.
Como a placa do carro de Clara estava registrada no sistema da empresa, ela foi cautelosa: estacionou em uma praça comercial próxima e foi caminhando até o estacionamento subterrâneo da Costa Santos para encontrar Sara.

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