Os olhos de Helena marejaram na hora. Ela a chamou de mãe.
Esse simples chamado de "mãe" dissipou completamente a insatisfação no coração da idosa. Seus olhos ficaram vermelhos instantaneamente.
As duas se abraçaram chorando amargamente. Helena também se desculpou de forma sincera, dizendo que no passado foi muito teimosa e insistiu em esperar a empresa do pai de Aimée abrir o capital antes de visitar a mãe.
Foi essa obsessão que fez com que perdessem tantos anos.
Aimée sorriu docemente. — Que ótimo. Agora que a relação entre você e a avó melhorou, teremos com quem conviver na Nova Zelândia no futuro.
O sorriso de Helena pareceu um pouco forçado. — Aimée, talvez a mãe precise voltar.
Ela ainda tinha coisas não resolvidas.
Aimée ficou surpresa. — Por quê?
O que mais havia de tão nostálgico naquele lugar?
— Deixemos isso de lado por enquanto. Levante-se rápido, não deixe sua avó esperando muito tempo.
Helena puxou a coberta dela e a ajudou a sair da cama.
Por mais que Aimée perguntasse, Helena não explicava o motivo.
Quando as duas chegaram à sala de jantar, Dona Aurora estava assistindo a uma transmissão ao vivo. Ao ver Aimée se aproximar, ela logo acenou. — Aimée, venha ver depressa. Olha essa velha, chorando de um jeito tão engraçado.
Aimée deu uma espiada no celular e ficou um pouco surpresa.
Não era sua "querida" avó?
— Ai meu Deus, não dá para conversar com vocês. Onde foi que tratei mal minha neta? Se eu a tratasse mal, ela seria boa comigo?
A idosa retrucou em frente à câmera e recomeçou a chorar. — Aimée, ah, minha Aimée! Onde você foi parar? A vovó sente muito a sua falta. Por que você não cuida mais da vovó? Você não pode abandonar a vovó! Não pode me deixar para trás!
— Aimée? — Dona Aurora ficou atônita. — A neta dela também...
Ao ver as expressões de Helena e Aimée cheias de frustração, a idosa compreendeu tudo e bateu na mesa. — Então a neta que ela está chorando é você, minha querida!
Dona Aurora estava apenas assistindo por diversão e curiosidade, mas jamais imaginaria que a situação envolveria ela mesma. De repente, ficou furiosa. — Então era assim que essa velha coisa intimidava minha filha e minha neta!
Dona Aurora estava muito brava. Ela levantou-se e andou de um lado para o outro, com as mãos na cintura. Ela sentia-se impotente por causa da barreira da tela e da impossibilidade de causar danos físicos à outra pessoa; caso contrário, ela realmente queria invadir o local e dar uns bons tapas naquela velha.
Aimée sorriu e pressionou os ombros da avó para que se sentasse. — Acalme-se, vovó. Eles não têm mais uma boa vida agora. A vingança da minha mãe e minha já foi cobrada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Herdeiro Arrependido