Aimée olhou para a calma no rosto dele, sem saber o que ele estava pensando.
De repente, ela se lembrou do que Letícia havia dito: as empresas presentes hoje poderiam ser as responsáveis por trás do que aconteceu com seus pais.
Então, o Grupo Valente também poderia ser seu inimigo?
A expressão de Jonas era indiferente. — Esse terreno tem muitos problemas pendentes. Não tenho interesse, e o Grupo Valente também não tem planos de desenvolvê-lo. Vim aqui pelo mesmo motivo da Zenith Capital: apenas para marcar presença e dar uma força.
Afinal, era um projeto com apoio do governo; as empresas convidadas precisavam pelo menos fazer uma aparição.
Ele olhou para a Gerente Letícia, com um olhar apático, mas perspicaz.
Letícia sorriu e trocou um olhar com Aimée. — Entendo.
Aimée continuou sem expressão, mas, por algum motivo, suspirou aliviada por dentro, relaxando o corpo inteiro.
Ela percebeu tardiamente que não queria se tornar uma verdadeira inimiga de Jonas.
Não queria que chegasse o dia em que estariam em lados opostos, com as armas apontadas um para o outro.
Talvez porque encarar alguém como ele como rival seria extremamente complicado.
Seu alívio era, provavelmente, apenas sorte.
Nesse momento, alguém deu um lance na licitação.
Aimée se virou para ver o nome da empresa e viu um homem com jeito de novo rico, sorrindo alegremente, como se estivesse ali só pela diversão.
Como havia menos de três empresas participando da licitação, o apresentador fez algumas perguntas e, diante do silêncio geral, não teve escolha a não ser anunciar com pesar que o projeto havia fracassado.
Essa foi a licitação mais rápida que já aconteceu, durando pouco menos de quinze minutos apenas.
O fato de poucas empresas darem lances deixou toda a situação muito confusa e cheia de segundas intenções.
Aimée olhou para as pessoas ali presentes. Parecia que todos eram suspeitos, mas ao mesmo tempo todos pareciam meros espectadores.
A Gerente Letícia percebeu sua confusão, deu um tapinha em sua mão e sussurrou: — Sem pressa. Vamos voltar primeiro.
Aimée assentiu e estava prestes a sair com ela.
Era apenas Vico tentando criar uma oportunidade para que ele e ela ficassem juntos.
Sem falar se a Gerente Letícia havia feito ou não um grande favor a Vico.
O favor que Vico fez hoje, Jonas não esqueceria.
Fazia muito tempo que Jonas não sentava para comer com ela adequadamente.
Depois de voltar da Nova Zelândia, ele chegou a pensar que nunca mais a veria nesta vida.
Mas, agora, ela estava ali, tão real, aparecendo bem na sua frente.
Jonas se levantou, sentou-se na cadeira ao lado dela e pegou o cardápio. — Dê uma olhada. O que você quer comer?
— Vico não disse que eles foram fazer o pedido?
— Eles foram pedir os frutos do mar. Veja se tem mais alguma coisa que você quer. — Ele disse, abrindo o cardápio e se inclinando na direção dela, virando as páginas uma a uma para ela ver.

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