Mauro estava com os olhos marejados, como se visse uma tábua de salvação. Ao mencionar o que passara naqueles dias, quase começou a chorar.
Deus sabe quantos olhares de desprezo ele havia recebido.
Toda a fortuna da família havia desaparecido em um instante.
Seu dinheiro, sua casa, tudo se fora.
Os amigos que antes o adulavam desapareceram num piscar de olhos ao saberem da sua ruína. Eles sequer atendiam suas ligações.
Em poucos dias, ele havia presenciado as atitudes mais cruéis e indiferentes do mundo.
Mauro soluçava com lágrimas penduradas nos cílios, mas então viu Aimée rir.
Mauro ficou pasmo.
Aimée o achou ridículo.
Depois de tudo o que aconteceu, ele ainda vinha pedir ajuda a ela?
Ele era completamente estúpido e sem salvação.
Ela o olhou com um sorriso de zombaria e disse friamente: — Então, por que você ainda não está acabado?
Mauro congelou, incrédulo de que sua sobrinha, sempre tão obediente, ao ouvir sobre sua situação, não apenas não demonstrasse simpatia, mas sim tivesse uma expressão de quem se deleita com o azar alheio.
— Você... Aimée, como pode falar assim comigo?
— Então como eu deveria falar com a pessoa que prejudicou os meus pais?
Mauro ficou paralisado.
Suas pupilas dilataram, o rosto empalideceu levemente e seus lábios tremeram. — Você... Você já sabe de tudo?
— Aham.
— Desde quando você sabe?
— Já faz um bom tempo. Alguns anos, eu diria.
Mauro pareceu ter sido atingido por um raio!
Em seguida, ele ficou furioso, sentindo a dor da traição. — Foi você quem me enganou para eu comprar aquelas ações, dizendo que elas subiriam, quando na verdade você já sabia que elas iriam cair, não foi?
— Você só percebeu isso agora? Que lerdeza.
— Você... — Mauro ficou tão furioso que quase teve um aneurisma.
— É normal que quem não sabe administrar nunca consiga guardar dinheiro ganho de forma ilícita. — Aimée sorriu.
Mesmo se Aimée não o tivesse enganado, com o modelo de gestão de Mauro, ele iria à falência em três ou cinco anos de qualquer maneira.
Apenas que Aimée não queria mais esperar três a cinco anos.
Ela queria ver a retribuição dele mais cedo e mais rápido!
Ouvindo o sarcasmo dela, Mauro ficou ainda mais enfurecido por estar humilhado, com o rosto vermelho. — Sua ingrata! Esqueceu quem te deu comida e roupas todos esses anos? Quem pagou pelos seus estudos para você se tornar médica? É assim que você me retribui?
Aimée riu levemente. — Você me deu comida e roupas? Ou aproveitou a ausência dos meus pais para se apropriar da fortuna da minha família usando a desculpa de ser meu tutor legal?
O rosto de Mauro esquentou. Ele perdeu a razão por meio segundo, mas logo levantou a voz ainda mais. — Isso é bobagem! O que você sabe? Apropriar da fortuna da sua família? O que os seus pais deixaram para você depois do que aconteceu? Além de dívidas, só restou você, uma pessoa que só deu trabalho!

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