Mauro estava com os olhos marejados, como se visse uma tábua de salvação. Ao mencionar o que passara naqueles dias, quase começou a chorar.
Deus sabe quantos olhares de desprezo ele havia recebido.
Toda a fortuna da família havia desaparecido em um instante.
Seu dinheiro, sua casa, tudo se fora.
Os amigos que antes o adulavam desapareceram num piscar de olhos ao saberem da sua ruína. Eles sequer atendiam suas ligações.
Em poucos dias, ele havia presenciado as atitudes mais cruéis e indiferentes do mundo.
Mauro soluçava com lágrimas penduradas nos cílios, mas então viu Aimée rir.
Mauro ficou pasmo.
Aimée o achou ridículo.
Depois de tudo o que aconteceu, ele ainda vinha pedir ajuda a ela?
Ele era completamente estúpido e sem salvação.
Ela o olhou com um sorriso de zombaria e disse friamente: — Então, por que você ainda não está acabado?
Mauro congelou, incrédulo de que sua sobrinha, sempre tão obediente, ao ouvir sobre sua situação, não apenas não demonstrasse simpatia, mas sim tivesse uma expressão de quem se deleita com o azar alheio.
— Você... Aimée, como pode falar assim comigo?
— Então como eu deveria falar com a pessoa que prejudicou os meus pais?
Mauro ficou paralisado.
Suas pupilas dilataram, o rosto empalideceu levemente e seus lábios tremeram. — Você... Você já sabe de tudo?
— Aham.
— Desde quando você sabe?
— Já faz um bom tempo. Alguns anos, eu diria.
Mauro pareceu ter sido atingido por um raio!

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