A camisa preta, de tecido bastante refinado em seu corpo, envolvia seu físico robusto. Com seus um metro e noventa de altura e porte imponente, ele chamava a atenção de qualquer pessoa que passasse por ali.
O homem arregaçou as mangas até os braços, tirou um maço de cigarros do bolso e colocou um na boca, mordiscando-o. Sem pressa de acender, encostou-se na porta do carro para esperar por alguém.
Observando os médicos e pacientes que iam e vinham, Jonas esperou por cerca de quinze minutos.
Ele acendeu o cigarro e checou as horas. Ela ainda não havia saído?
Ficou brava mesmo?
Esse pensamento existiu na cabeça dele por apenas um segundo.
Ele balançou a cabeça, convencido de que isso nunca aconteceria.
Ela era tão obediente, nunca iria arrumar confusão com ele por causa de uma coisinha dessas.
Durante os três anos de relacionamento, ela sempre foi tão dócil que ele nunca conseguiu apontar um único defeito nela.
No segundo seguinte, no saguão do hospital, ele viu Aimée saindo.
Aimée havia se trocado e usava um vestido amarelo-claro. Por natureza, ela era branca e delicada, e o tom amarelo do vestido a deixava ainda mais radiante.
Pelo caminho, ela cumprimentava todos sorrindo, com os olhos curvados e cheios de vivacidade.
Um sorriso pintou os olhos negros de Jonas.
Esse vestido era o que ele havia trazido do exterior para ela.
De fato, combinava muito com ela, especialmente as proporções da cintura, que podiam ser chamadas de perfeitas.
Antes que ela se aproximasse, Jonas tirou o cigarro consumido pela metade.
Ele estendeu a mão, sinalizando para ela se aproximar.
Aimée sorriu levemente e colocou a mão de forma voluntária na palma dele, sendo puxada para frente e caindo em seus braços.
O homem acariciou o cabelo caído perto da orelha dela, com o olhar cheio de afeto. — Cansada?
— Claro. Foi difícil conseguir uma folga e você estragou tudo. Você tem que me compensar.
— Tudo bem. O que você quer?
— Vou ter que pensar um pouco e depois te conto.
Ela realmente precisava pensar bem.
Afinal, fazer cirurgia na nova amante do namorado não era algo que qualquer pessoa conseguia fazer.
Dessa vez, ela precisava arrancar um pouco mais dele.
— Tudo bem, entre no carro primeiro. Vou te levar para comer alguma coisa antes de voltarmos.
Para uma garota como ela, namorar era aceitável, mas casamento era absolutamente impossível.
Claro, Aimée também nunca pensou em ir além...
Por isso, nos três anos em que estiveram juntos, ela apenas fez companhia de forma obediente e sensata. Ela nunca se irritou, nunca exigiu ver a família ou amigos dele, nem cobrou para saber de quem eram os cheiros de perfume e as marcas de batom que apareciam nele.
Para as inúmeras mensagens de texto provocativas que as amantes enviavam ao celular dela, Aimée apenas lia sem responder.
Todos os convívios da alta sociedade comentavam que ela era muito submissa, incapaz de encarar as outras mulheres que se aproximavam de Jonas.
Algumas pessoas até apostavam em quando ela seria dispensada pelo Herdeiro.
Quando o Herdeiro pretendia dispensá-la, ela não sabia.
Mas faltavam apenas dois meses para ela pôr um ponto final em todo esse relacionamento e ir embora para sempre.
Quando esse dia chegar, não vou me importar nem um pouco com ele e todas as suas amantes.
Que ficasse com ele quem quisesse!
— O que foi? — Jonas perguntou em voz suave ao vê-la atordoada sem entrar no carro.
Aimée exibiu um sorriso deslumbrante. — Não é nada.

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