Aimée ficou sem palavras. O que ela tinha feito?
Como ela não tinha vergonha na cara com Jonas?
E por que Priscila veio tão brava para cima dela, como se tivesse cometido um crime imperdoável ou quebrado as leis divinas?
A reação dela, de quem não via erro nenhum no que fazia, deixou Priscila ainda mais desequilibrada.
Desde que noivou com Jonas, ela deletou todos os seus amigos homens.
Ela mantinha distância por conta própria, por medo de que ele entendesse mal.
Ela sabia que Jonas era metódico com relacionamentos e não gostava de ver a sua mulher envolvida com outros homens.
Então, ela encerrou de vez todos os casos antigos.
Mas e Aimée?
Uma hora ela ficava perto de Davi Fontoura...
Outra hora ficava se agarrando com outros homens.
Ouvira dizer que ela não tinha parado quieta nem na Nova Zelândia, viajando com um cara por vários dias.
Com que direito ela podia ser tão livre e solta? Enquanto Priscila, tomando tanto cuidado, não conseguia nem um pingo de atenção de Jonas.
Não importava como a visse, Priscila sentia raiva dela. — Você sabe de tudo que ele abriu mão por sua causa?
— Aquele projeto. Ele colocou toda a energia naquilo e, por sua causa, teve que entregar de bandeja para Henrique Valente.
— Agora, também por sua causa, ele foi obrigado a aceitar as exigências da minha mãe...
— E você!
— Você não tem o mínimo amor próprio, anda grudando em vários homens por toda parte.
— Aimée, você não merece nem um pouco a consideração dele! Eu realmente sinto que não vale a pena por ele!
Priscila cerrou os dentes e apertou os punhos.
O que uma mulher como ela tinha para que Jonas sacrificasse tanto?
Onde estava o problema?
Ela não conseguia entender, de jeito nenhum.
Aimée entendeu, e até achou graça.
Ela sorriu de leve, o que irritou Priscila ainda mais. — Está rindo do quê? Por acaso eu disse alguma mentira?
— Ouvi você falando esse tempo todo. Então quer dizer que está defendendo o Jonas?
Primeiro, eu e ele já terminamos. Ele não tem nada a ver com quem eu ando, e acha que você tem?
Segundo, já que tem tanta pena dele, agora é um ótimo momento para ir lá consolá-lo. Ficar me dando lição de moral aqui não é jogar uma oportunidade fora?
Aproveitando o álcool, o olhar que ela lançava a Aimée estava cheio de inveja.
Aimée franziu a testa. — Então o que você quer?
— Quero que você jure que vai se afastar dele e nunca mais o procurar!
— Se você voltar a se aproximar dele depois disso, eu vou fazer com que todo mundo saiba quem você realmente é.
Aimée deu uma risada incrédula. — Por que eu deveria jurar?
Ainda mais jurar uma coisa dessas.
Aimée achou aquilo engraçado, perguntando-se se a mulher havia bebido demais.
A mulher ao lado tomou a frente e a defendeu: — Porque a Priscila vai se casar com o Sr. Valente muito em breve!
— Isso mesmo. A nossa Priscila será a esposa legítima de Jonas. É claro que ela tem o direito de se livrar de amantes sem vergonha como você.
Daisy continuou encostada na porta do camarote, apenas observando, sem coragem de se intrometer à toa.
Apesar de Vico ter dito agora pouco que aquela garota era a sua irmã.
Mas quando ele não dizia que as garotas com quem saía eram suas irmãs?

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