Mas Helena era diferente.
Ela parecia ser apenas uma mulher de meia-idade comum.
Até tinha um sorriso educado e gentil no rosto.
Porém, Jonas estava tão nervoso que andava todo descoordernado, sem conseguir coordenar os movimentos dos braços e pernas.
Thiago, vendo que ele quase tropeçou no tapete por estar andando desajeitado, soltou um riso, não conseguindo se segurar, e começou a rir.
Aimée também nunca o tinha visto daquele jeito.
A mãe dela era tão gentil.
Como ele tinha ficado tão assustado?
Parecia um malandro de cabelo amarelo que roubou uma garota de família direita e foi conhecer os pais, tão assustado que a alma quase saía do corpo.
Helena lançou um olhar para Thiago e mandou ele parar de rir: — Aimée, entrem para o quarto. Tenho umas coisas para conversar com o Sr. Valente.
— Tá.
Aimée puxou Thiago, os dois entraram juntos no quarto e fecharam a porta.
Helena disse educadamente: — Sente-se, por favor.
Jonas sentou-se constrangido, mas os olhos não paravam de olhar para a porta do quarto de Aimée.
Sua atenção estava toda concentrada ali, e ele desejava ter visão de raio-x para, através da porta de madeira, ver o que acontecia lá dentro.
Helena viu que ele não parava de encarar a porta e sorriu: — O Sr. Valente tem alguma opinião sobre a porta da minha casa?
Jonas voltou a si, forçando um sorriso desajeitado: — Não. Mas, dona Helena, deixar a Aimée com um homem no quarto não é um pouco ruim?
— Na verdade, o que quero conversar com você também não envolve privacidade. Acho que a Aimée poderia sair e escutar um pouco...
— Você não veio me procurar, não é? — Helena o interrompeu.
Jonas ficou surpreso e não pôde mais esconder: — Desculpe.
— Você não acha que esse vaso não tem nada demais?
Jonas realmente achava isso, mas não quis falar na cara.
— Esta é a lembrança mais marcante que tenho da minha casa de quando eu era criança. Eu lembro que, quando eu era bem pequena, a minha casa tinha um vaso de flores como esse. O meu pai comprava um buquê para a minha mãe todos os dias.
— Mais tarde, fui para a Nova Zelândia com a minha mãe. Com o tempo, muitas coisas ficaram embaçadas, mas toda vez que eu via qualquer vaso, eu lembrava do meu pai.
Helena sorriu: — Por isso, eu dei o nome de "Pai" para esse vaso e coloquei o preço de cem mil reais.
— Na época, os professores e alunos da escola acharam que eu tinha ficado louca. Pelo meu desempenho e notas normais na escola, não fariam um trabalho tão comum e pediriam um absurdo de caro.
— Depois, ele ficou exposto no salão ano após ano. Ninguém se importava, e acabou jogado num canto.
— Até que um dia o pessoal do salão me ligou e disse que tinha alguém querendo comprar a minha obra, mas que ele queria me conhecer.
Helena, ao relembrar do passado, tinha lágrimas de felicidade brilhando nos olhos: — Aquele cara era o pai da Aimée. E ele, quem diria, me perguntou se podia escrever uma promissória para comprar o meu vaso.

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