Stella
Estou vomitando quando escuto uma batidinha na porta, depois uma voz fofa e preocupada:
— Está tudo bem, tia Stella?
— Oi, meu amorzinho, é só um mal-estar, já vai passar. — Respondo segurando mais uma rodada de vômito.
— Deixe-me entrar, para te ajudar. — Ela diz e não consigo responder.
Outra batida a porta, desta vez mais forte.
— Me deixe entrar, Stella.
“Que grosso, nem perguntou se estou bem”.
— Minha linda, deixe-me ver como você está.
Sento no vaso sanitário, tentando recuperar a dignidade que vomitei junto do café da manhã.
— Se não abrir a porta vou derrubar. — Eduardo diz sério.
Levanto apoiando a parede, e destranco a porta, aproveito, lavo minha boca e rosto.
Sinto mãozinhas gordinhas abraçando minha perna, enquanto mãos fortes enlaçam minha cintura.
— Está tudo bem, você se machucou? O que aconteceu minha linda?
— Aconteceu que sua secretária achou que era alguma coisa sua. — Falo brava sem olhar para ele.
Ele me vira, levanta meu queixo e vê o vermelho em meu rosto.
— Vou acabar com a vida desta mulher. Juro que foi uma vez e nunca mais. Você é a única mulher que está na minha vida agora. Acredite em mim.
— E a mamãe? — Bella pergunta.
— Sua mamãe está no meu coração, com tia Stella e você. — Não consigo mais me fazer de durona e sorrio com suas palavras.
Abaixo até a altura de Bella, dou um beijinho na sua bochecha e falo:
— Já estou melhor, obrigada por ficar preocupada comigo.
— Como passei mal e botei literalmente todo meu café da manhã para fora, agora estou morrendo de fome, quem quer almoçar?
— Quero lanche. — Bella se apressa a dizer.
— Negativo mocinha, tem que comer comida. — Eduardo e eu rimos da carinha que ela fez, e seguimos para o restaurante.
A princípio fomos todos em silêncio, então Edu decide quebrá-lo.
— Eu, mandei embora, não acontecerá novamente.
— Obrigada! — Digo sincera.
— Eu deveria ter feito isso a muito tempo, desculpa por insistir nela como secretária.
— Já passou, vamos comer. Estou faminta. — Ele pega minha mão e dá um beijo, sorrio com o gesto de carinho.
Eduardo
Após o almoço chegamos à clínica, como estávamos um pouco atrasado devido o transtorno no escritório, fiz questão de vir dirigindo, deixo-as na frente, e vou estacionar o carro.
Quando estou saindo do carro meu celular toca, atendo sem olhar:
— Que merda foi essa Stella? — Soou um pouco mais grosso do que queria.
Ela solta minha mão, coloca na cintura e fala:
— O que quer dizer com isso Eduardo?
— Nada, minha linda, mas o cara estava te cantando na cara dura.
— Não tinha ninguém cantando papai. Tinha tia.
— Não é cantar música princesa é apenas uma expressão. — Stella diz sorrindo, continuo irritado com a cena que presenciei, e antes que eu pudesse dizer algo, Bella faz outra pergunta:
— O que é expressão. — Não consigo segurar a risada, acho que a minha discussão com Stella acaba de ser encerrada pela Bella.
— Ele estava querendo chamar a tia Stella para sair, achando ela bonita, nesse caso estava cantando ela. — Stella me fuzil com o olhar, não resisto e dou um selinho nela.
— Eca, você beijou a titia na boca. — Bella resmunga com cara de nojo, o que faz eu e Stella dar risada.
— Isso mesmo princesa, tem que achar isso nojento, até os trinta anos.
…
Não tenho mais cabeça para voltar ao escritório, então ligo para Michael e o deixo a par do que aconteceu.
— Puta que pariu! E como está Stella?
— Furiosa, no quarto com a Bella, e me proibiram de entrar lá. Disseram ser a tarde das meninas. — O desgraçado dá uma gargalhada, continuo o que dizia, como se não estivesse ouvindo sua risada. — Então vou ficar por aqui hoje, qualquer coisa só me mandar um e-mail.
— Cara, elas te dominam direitinho. — Sorrio, tenho que concordar, sou louco pelas minhas meninas.

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