Stella
Ao entrar no avião, minha respiração se acelerou enquanto os sentimentos borbulhavam dentro de mim: saudade, ansiedade e uma expectativa quase infantil de abraçar meus filhos novamente. Eduardo, sempre atento aos meus sinais, segura minha mão com carinho e diz:
— Também estou ansioso para vê-los. Eles estão nos esperando, meu amor, — disse, com aquele tom sereno que só ele tem. Assenti, sentindo meus olhos marejarem, ele beija minha mão com carinho, sorrio e olho pela janela o paraíso se distanciar conforme o avião decolava.
Fazia duas horas que estávamos voando. O avião estava silencioso, a maioria dos passageiros estavam adormecidos, assim como Eduardo que cochilava ao meu lado, a cabeça levemente inclinada, e por um momento, admirei sua tranquilidade. Ele parecia tão sereno, descansando com um leve sorriso no rosto. Eu, por outro lado, não conseguia pregar o olho. O céu estava límpido, as nuvens lá embaixo pareciam um tapete fofo, e tudo corria perfeitamente bem. Mas algo dentro de mim me mantinha alerta.
Virei-me para a janela, e foi então que vi. Uma enorme nuvem cinza começava a se aproximar. Relâmpagos serpenteavam pelo céu escuro, iluminando por breves momentos o horizonte. Meu estômago revirou, e um calafrio percorreu minha espinha.
— Amor, olha. — Digo suavemente, tocando o braço de Eduardo e apontando para a janela. Ele franze a testa, forçando os olhos a abrirem, e olha na direção que eu indicava.
— Parece uma tempestade. — Minha voz saiu mais tensa do que eu esperava.
Eduardo piscou algumas vezes, ainda sonolento, mas logo balançou a cabeça, tentando me acalmar.
— Fica tranquila, amor. Deve ser só uma tempestade passageira. O piloto está preparado para esse tipo de coisa. — Sua voz era firme, mas não me convenceu. Eu conhecia Eduardo o suficiente para perceber que ele estava tentando me tranquilizar, talvez até a si mesmo.
Eu não respondi, apenas observei o céu ficando mais escuro a cada minuto. O avião avançava em direção àquela massa tempestuosa, e com cada segundo que passava, a sensação de inquietação dentro de mim crescia. A tempestade parecia gigante, e a cada relâmpago que iluminava o céu, meu coração acelerava um pouco mais.
Apreensão começou a tomar conta de mim. A nuvem cinza estava cada vez mais próxima, e eu sabia que, em breve, estaríamos voando no meio daquela tormenta. Algo estava errado, eu podia sentir.
De repente as luzes do avião começam a piscar, e eu sentia o pavor começando a tomar conta de mim. Eu estava tão concentrada nas nuvens escuras e no meu medo crescente. As nuvens densas envolviam a aeronave, e os trovões ecoavam como se estivessem ao nosso lado, que mal percebi quando uma aeromoça apareceu ao nosso lado, com um sorriso educado, mas um olhar ligeiramente preocupado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laços do Coração.A babá do Destino.