Antonella
Um tempo depois…
Decide me estabelecer em Boston com Matteo, vendi minha residência na Itália e comprei uma casa no mesmo condomínio que Stella, o pai dele não gostou muito, mas acabou aceitando. Sempre me dei muito bem com Matteo, ele sempre foi meu cúmplice, quando observava a vida de Stella e Leonardo a distância.
Matteo estava na cozinha, preparando algo simples para o jantar, e eu, na sala, apreciava o silêncio — aquele tipo de silêncio que só a vida em família, depois de tantos anos, consegue proporcionar. Mas o silêncio foi quebrado quando ouvi um estrondo. Um calafrio percorreu minha espinha. Minha mente tentou encontrar uma explicação racional, mas o instinto gritou o que eu temia há anos: ele estava aqui.
— Nona, vá para o quarto e tranque a porta! — A voz de Matteo veio alarmada da cozinha. Corri até ele e encontrei meu marido, imóvel, os olhos fixos na figura diante de nós.
Meu pai amado. O homem que eu acreditava ter se tornado apenas uma lembrança sombria, encarava-me com o ódio nos olhos. Rugas profundas marcavam seu rosto, de longe parecia com o executivo arrogante e elegante que era, seu olhar era insano, o mesmo que sempre me recusei a enxergar. Eu soube, naquele instante, que algo terrível estava prestes a acontecer.
— Você... não deveria estar aqui... — Minha voz saiu fraca, quase um sussurro. Mas ele riu. Uma risada insana, de alguém que já havia perdido a noção de tudo.
— Eu saí, Antonella... saí para terminar o que comecei. — Ele se aproximou, sua presença dominando o ambiente. Matteo, apesar de seu tamanho, parecia pequeno diante do terror que se instalava.
— Vovô, por favor... — Matteo tentou, mas ele não ouvia. Seus olhos brilhavam de pura loucura em minha direção, mas com a arma apontada para Matteo.
— Você me deixou apodrecer naquela prisão, Antonella! — Ele gritou. — Todos me abandonaram, me traíram!
— Você destruiu vidas! — Respondi, sentindo o pânico crescendo em meu peito. — Você destruiu a nossa família!
O que veio a seguir foi um caos. Ele empurrou Matteo com uma força que não esperávamos de alguém com sua idade, fazendo-o cair. Enquanto eu gritava por socorro, meu corpo começou a falhar, o coração disparando de uma forma que eu sabia ser perigosa. Senti o peso da fraqueza me puxando para baixo. O mundo girou, e meu corpo desabou.
A última coisa que ouvi antes de perder a consciência foi a risada macabra dele, ressoando na casa. Pensei que fosse o fim. Tudo parecia escuro, como se a morte estivesse me chamando. Mas, de alguma forma, o som de vozes distantes começou a me trazer de volta, e eu lutei para voltar. A dor no peito era insuportável, e meu corpo estava fraco demais para reagir.
Quando abri os olhos, ouvi o barulho de algo caindo no chão. Sangue. Sangue estava por toda parte.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laços do Coração.A babá do Destino.