Eram nove horas da manhã quando Michelle entregou o óleo essencial que Celia havia pedido. Assim que o recebeu, ela a dispensou — não queria que Michelle visse Hugo ainda de pijama.
Passava das dez quando Mathias chegou acompanhado de Peter Cumberbatch para trocar o curativo de Hugo.
Ao retirar a gaze, o médico franziu a testa.
— O senhor precisa se cuidar mais, Sr. Spencer. A ferida está com um pouco de sangramento.
Celia observava da varanda anexa à sala de estar, querendo se manter informada. Ao ouvir a observação do médico, lembrou-se de quando Hugo havia tropeçado enquanto ela o ajudava a se deitar.
— Eu serei mais cuidadoso — respondeu ele, lançando um olhar na direção da varanda.
Sua recuperação não o preocupava muito, contanto que a condição não se agravasse. O que ele não queria era parecer fraco diante de Celia.
— Passarei os relatórios médicos diariamente às duas e meia da tarde, Sr. Spencer — informou Mathias.
Hugo preferiu que os relatórios fossem enviados por telefone, evitando interrupções constantes.
Com os curativos trocados, Mathias e o médico se despediram. Celia lançou um olhar a Hugo, que ajeitava o pijama no sofá.
— Você ouviu o médico. Evite se mexer tanto.
— O que teremos no almoço? — perguntou ele casualmente.
— Não faço ideia. Também não sou nenhuma chef. Vou pedir comida pronta.
— Deixe que eu peça ao Mathias — disse Hugo, com naturalidade. Mesmo quando optava por delivery, só aceitava refeições de restaurantes sofisticados.
Celia ficou aliviada em deixá-lo arcar com os custos.
— Ótimo. Vou começar a trabalhar agora.
Retirou-se para o escritório, onde começou a preparar seu novo produto. O ambiente, pouco a pouco, ganhava ares de laboratório.
Enquanto isso, o celular de Hugo tocou.
— Alô?
— Recebemos informações da polícia, Sr. Spencer. A pessoa por trás do atentado à Srta. Stuart é uma funcionária da Lovan Corp, chamada Kayla Stevens. Foi ela quem contratou os assassinos.
Hugo recordou-se da mulher.
— Ela não pode sair impune.
— Entendido.
Ao encerrar a ligação, ele olhou em direção ao escritório. “Ela realmente atrai inimigos perigosos.” O mais curioso era como ele sempre acabava envolvido em seus momentos de risco — quase se afogou, enfrentou uma briga para salvá-la, e agora, arriscou a vida para resgatá-la. “Será que o destino está me forçando a compensar os erros do passado? Ou estou pagando por esconder a existência do nosso filho?”
Em uma mansão luxuosa, Jeremy se divertia na piscina. Seus mergulhos e movimentos na água lembravam um pinguim ágil e adorável.
Do outro lado da piscina, um homem musculoso emergiu da água. O corpo definido reluzia ao sol enquanto ele afastava os cabelos molhados do rosto bonito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laços Implacáveis