Na tela do celular, a interface de mensagens se abriu, revelando as conversas recentes. Bryce leu rapidamente e seu rosto empalideceu.
— Você ainda está trocando mensagens com esse estranho suspeito?
— Me devolve o telefone, Bryce — disse Celia, estendendo a mão com calma.
Apesar de contrariado, Bryce devolveu o celular. Celia o deixou de lado e não respondeu mais às mensagens.
Bryce estava em chamas por dentro, consumido pelo desejo de descobrir quem era aquele homem misterioso.
Ele envia mensagens sugestivas todos os dias, claramente assediando a mulher que eu gosto. Um sujeito assim, que se esconde atrás de uma tela e nem se dá ao trabalho de marcar um encontro, só pode ser um canalha!
— Como seu amigo, Celia, te aconselho a ignorar esse sujeito — disse, cerrando os punhos de frustração.
Celia compreendia a preocupação dele, mas estava convicta de que Sean era alguém digno. Desde o momento em que salvou Jeremy, Sean só a ajudou — enviando flores, comida, ajudando-a a reassumir a empresa, colocando Carter em seu caminho, e até apoiando sua liderança como CEO.
Mesmo quando ela tentou retribuir, ele sempre recusava. Nem mesmo aceitou que ela agradecesse a Carter.
— Acredito que ele não seja uma má pessoa. Qualquer um que tenha como amigo alguém como o Carter só pode ser bom — respondeu Celia, com firmeza.
— E se tudo isso tiver um preço? Já pensou que ele pode ter segundas intenções? E se, um dia, ele quiser algo mais? Você aceitaria se ele pedisse algo em troca? — rebateu Bryce, tomado pelo ciúmes.
Celia corou imediatamente. Ela não podia contar que tinha, sim, desenvolvido sentimentos por Sean.
— Você disse que ele tem um filho. Qual é o nome do garoto?
— Jeremy Spencer — respondeu ela sem pensar muito. — Por que quer saber?
Bryce, claro, não contaria que suspeitava de Sean estar usando um nome falso. Afinal, com aquele nível de riqueza e conexões, seria improvável que fosse um desconhecido.
“Se eu investigar o filho, posso chegar à identidade real dele.”
— Por nada. Só curiosidade — disfarçou, guardando a informação.
Enquanto isso, na casa de Celia, Hugo esperava ansioso por uma resposta no celular. Mal podia acreditar que ela o estava ignorando.
“Será que é tão difícil assim tirar uma foto e me mandar?”
Sem perceber, já passava das oito da noite. Celia e Bryce saíram do restaurante e caminharam um pouco antes de ela dizer que estava cansada.
— Celia, tenha cuidado com o Hugo. Não deixe ele ultrapassar nenhum limite com você — alertou Bryce, claramente preocupado.
Os olhos de Celia brilharam com raiva ao ouvir isso.
— Se ele ousar, eu mesma acabo com ele.
Bryce se aliviou. Até ele, que não a conhecia profundamente, podia sentir o desprezo dela por Hugo. Não acreditava que o homem conseguiria reconquistá-la.
Seu rival verdadeiro era Sean — Celia nunca parecera tão envolvida com alguém.
“Preciso descobrir onde o filho desse tal Sean estuda. E os nomes verdadeiros dos pais dele.”
— Se cuida. Vou indo — disse Celia, virando-se para voltar para casa.
Assim que se afastou o suficiente, pegou o celular, ansiosa. A caixa de mensagens estava vazia. Sentiu um leve aperto por ter o ignorado mais cedo. Decidiu ceder — não insistiria para ele mandar uma foto, mas ela mesma enviaria uma.
Procurou um lugar bem iluminado, arrumou o ângulo, sorriu, tirou várias fotos e escolheu a melhor. Junto à imagem, escreveu:
“Desculpa, estava ocupada com um amigo antes. Aqui está uma foto minha.”
Naquele momento, Hugo estava deitado no sofá, estômago roncando. Ao ouvir a notificação, abriu os olhos e se virou rapidamente para pegar o celular, puxando a ferida no processo.
— Ai! — gemeu, mas ignorou a dor e abriu a mensagem.
Ao ver a foto encantadora de Celia, um sorriso apareceu em seus lábios. “Ela ainda se importa comigo.”

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