Após o café da manhã, Leah subiu para seu quarto em silêncio. No andar de baixo, a atmosfera permanecia pesada. Kyle afogava-se em arrependimentos. Mais do que ninguém, ele sabia que Alexis havia tomado o lugar de Leah — era ela quem ele usara para encobrir seu erro do passado.
Agora, a oportunidade de Leah se reunir com sua verdadeira família e de Ernie retribuir a dívida estava sendo aproveitada por outra.
A velha residência dos Styles continuava decadente, e o futuro de Leah parecia cada vez mais selado. Kyle só podia desejar que ela encontrasse um homem bom e digno que a amasse de verdade.
Sentada junto à janela, Leah sentia-se vazia, como se tivessem arrancado algo de sua alma. A imagem de Ernie sorrindo gentilmente para Alexis rodava incessantemente em sua mente. E se Alexis pedisse que ele se casasse com ela...?
Uma dor aguda apertou seu peito, como se uma mão invisível o esmagasse.
O que está acontecendo comigo? Estou mesmo apaixonada por ele só porque me salvou?
Leah evitava dar voz aos próprios sentimentos, mas, dentro de si, a resposta era óbvia.
Desde o resgate em Korshach, ela se apaixonara por Ernie. E mais do que isso: ela havia até tomado a iniciativa de beijá-lo no carro. Nunca imaginou que seria esse tipo de mulher — alguém que se apaixonaria à primeira vista. Mas foi exatamente o que aconteceu.
Agora, seu coração era dele. E não havia como voltar atrás.
Aceitar isso só fazia sua dor crescer. Porque o homem que ela amava estava agora ao lado da pessoa que ela mais desprezava. E tudo indicava que eles ficariam juntos para sempre.
Isso está me deixando louca.
Leah segurou a cabeça entre as mãos, completamente desolada.
Enquanto isso, na mansão de Hugo, Celia estava no quarto com Jeremy. Seus olhos estavam cheios de ternura ao beijar carinhosamente a bochecha do filho. Jeremy resmungava, dizendo estar cansado.
Por ele, ela se tornara mais forte. Estava disposta a enfrentar o mundo inteiro se necessário, contanto que pudesse protegê-lo.
Mesmo com as palavras do pai ainda pesando em sua mente como chumbo, Celia sabia que, se um dia ele descobrisse sobre Jeremy, ela não hesitaria em defender o filho com unhas e dentes. Ninguém o machucaria.
"Mamãe!" Jeremy, meio sonolento, abraçou seu pescoço.
"Estou aqui," murmurou ela, colando o rosto ao dele para que ele sentisse sua presença até nos sonhos.
Na sala do andar de cima, Hugo tomava vinho tinto. Esperava que Celia saísse do quarto. Mas como ela não aparecia, e a noite avançava, acabou indo dormir sozinho.
Do lado de fora da mansão, Claude e seu assistente se revezavam para vigiar o carro de Hugo. Ao perceberem que ele não havia saído durante a noite, concluíram: Celia e Hugo estavam morando juntos.
Na manhã seguinte, Pansy se preparava para ir ao escritório quando recebeu uma ligação de Claude.
"O que você disse? Eles estão morando juntos?" Sua voz misturava surpresa e entusiasmo.
"Celia entrou na casa dele ontem à noite e não saiu desde então," relatou Claude.
"Ótimo. Continue vigiando. Se puder, tire fotos íntimas dos dois," ordenou ela antes de desligar.
Um sorriso zombeteiro surgiu em seus lábios. Aquilo era suficiente para desestabilizar qualquer relação entre seu marido e Celia — cortando os laços de vez.
Seria perfeito se Claude conseguisse imagens comprometedoras.
De volta à mansão, a cena do café da manhã parecia saída de um comercial de margarina. Hugo, Celia e Jeremy pareciam uma família perfeita.
"Mamãe, eu não gosto da gema do ovo," disse Jeremy, separando a clara no prato.
"Nem eu gosto," respondeu Celia, olhando para Hugo.
"Pai, come você," disse Jeremy, empurrando a gema para o prato do pai.
Hugo sorriu calorosamente. "Claro. Eu como tudo que você não quiser."
Celia revirou os olhos. Está tentando me conquistar?
"Mamãe, minha formatura é amanhã! Vou fazer uma apresentação. Você tem que ir, tá bom?" pediu Jeremy, animado.
"Claro, querido. Não perderia por nada," respondeu ela, sorrindo.

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