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Laços Implacáveis romance Capítulo 36

O iate acelerava, afastando-se rapidamente.

Celia, ainda amarrada, afundava cada vez mais nas profundezas do mar. Seus olhos arregalados observavam a luz refratada pela água, criando padrões brilhantes ao seu redor, como se estivesse presa em um mundo surreal.

Foi então que, em meio à névoa de seus pensamentos privados de oxigênio, ela viu uma figura mergulhar em sua direção. Seria ele? Hugo?

A cerca de três metros de profundidade, Hugo nadava velozmente até ela, segurando-a firme pela cintura. Com os dentes, rasgou a fita que prendia seus pulsos e, depois que ela se desvencilhou, desceu até seus tornozelos, livrando-os da amarra. Celia, entretanto, já estava quase sem ar.

O homem agarrou seus ombros e, com os rostos muito próximos, removeu a fita adesiva de sua boca. Sem hesitar, segurou a parte de trás de sua cabeça e pressionou seus lábios contra os dela, compartilhando seu ar.

Ela, sufocando, agarrou-se instintivamente a ele, sentindo um sopro de vida preencher seus pulmões. Seus olhos se fecharam e seus braços se enroscaram no pescoço de Hugo, absorvendo avidamente cada fôlego que ele lhe dava.

Ele continuou batendo as pernas, impulsionando-os em direção à superfície até emergirem da água.

"Ufa..." Celia arfou, sentindo o ar fresco preencher seus pulmões enquanto se apoiava no peito dele, exausta. Quando abriu os olhos, encontrou os dele, profundos e indecifráveis. As gotas d'água penduradas em seus cílios longos brilhavam sob a luz.

"Você..." Sua voz falhou quando percebeu que ainda estava em seus braços. Imediatamente, tentou empurrá-lo.

Mas ao afastá-lo, perdeu o equilíbrio e voltou a afundar na água, soltando um grito sufocado. Seu instinto de sobrevivência falou mais alto e, em desespero, agarrou-se à cintura de Hugo, segurando-se nele como se sua vida dependesse disso.

A voz grave e provocativa de Hugo soou próxima: "Por que continua se agarrando a mim?"

Celia o olhou furiosa, rangendo os dentes. A costa ainda estava distante e, mesmo que quisesse, não conseguiria nadar até lá sozinha. Engolindo sua raiva, ordenou: "Me leve até a praia."

Hugo a puxou para mais perto, sua voz assumindo um tom malicioso: "Peça com jeitinho."

Ela sentiu o peito firme dele pressionando seu corpo, e o calor inesperado fez seu rosto pálido adquirir um leve rubor. No entanto, sua expressão era de pura fúria. Como aquele idiota podia pensar nisso em um momento como esse?

"Canalha! Nem em sonho eu te imploraria, mesmo que minha vida dependesse disso."

Sem hesitar, ela o empurrou e, deliberadamente, estendeu os braços e as pernas, deixando-se afundar mais uma vez.

Os olhos de Hugo se estreitaram, gelados, antes de ele mergulhar novamente, puxando-a de volta à superfície.

Celia tossiu violentamente, engasgando-se com a água salgada. Dessa vez, não resistiu. Deixou-se ser carregada enquanto Hugo a conduzia em direção aos juncos.

Ao sentir o solo sob seus pés, ela finalmente cedeu ao cansaço, desabando na areia úmida da praia. Seu corpo tremia, e sua respiração ainda estava irregular.

Hugo ficou de pé, ofegante, sua camisa branca colada ao corpo, deixando à mostra cada contorno definido de seus músculos. Suas calças escuras encharcadas destacavam suas pernas longas e firmes. Sem paciência para a sensação pegajosa da água salgada, ele retirou a camisa, revelando sua pele bronzeada e esculpida.

No entanto, Celia não demonstrou o menor interesse em admirar a visão à sua frente.

Ele lançou um olhar para ela, que permanecia deitada na areia, imóvel.

"Levante-se e vamos embora."

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